Republicanos adota neutralidade para 2026
Partido rejeita apoio a Flávio Bolsonaro e Lula após votação interna em Brasília.
Publicado em 5 de agosto de 2026, 15:19 — Em São Paulo

O Republicanos definiu, nesta terça-feira (4), que não apoiará oficialmente nenhum candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão foi tomada durante a convenção nacional da legenda, realizada em Brasília, após uma votação que evidenciou divisões internas, mas consolidou a neutralidade como posição institucional.
Dos 27 votos registrados, 17 foram favoráveis à neutralidade, nove defenderam o apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e apenas um diretório manifestou preferência pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A reunião foi conduzida pelo presidente nacional do partido, Marcos Pereira, que, nos dias anteriores à convenção, ainda buscava construir um entendimento com o PL. Nos bastidores, Pereira articulou a possibilidade de a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) integrar uma eventual chapa presidencial como candidata a vice-presidente. A proposta, entretanto, não encontrou respaldo da maioria da legenda, que optou por manter independência na disputa nacional.
Entre os diretórios estaduais que defenderam o apoio a Flávio Bolsonaro estão São Paulo, Rio Grande do Sul, Roraima, Rondônia e Mato Grosso. Já Pernambuco foi o único estado a votar pelo apoio a Lula. O diretório pernambucano é presidido pelo ex-ministro Sílvio Costa Filho.
A convenção reuniu importantes lideranças da sigla, entre elas o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (PB), os senadores Cleitinho (MG), Hamilton Mourão (RS), além do ex-deputado Eduardo Cunha. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não participou do encontro. Representado pelo secretário-chefe da Casa Civil, Roberto Carneiro, Tarcísio cumpriu agenda em uma sabatina promovida pela RedeTV!.
A decisão do Republicanos redesenha o cenário político para 2026 ao retirar, ao menos por enquanto, o apoio formal de um dos principais partidos do Centrão a qualquer projeto presidencial. A postura amplia a margem de negociação da legenda nos próximos meses e mantém abertas as possibilidades de composição, conforme evoluírem as alianças nacionais.
Mais do que uma escolha eleitoral, a neutralidade levanta um debate sobre o papel dos partidos na democracia. Em um ambiente político cada vez mais polarizado, manter independência pode representar uma estratégia para preservar espaço de negociação ou revelar dificuldades em construir consensos internos. A questão que permanece é se essa posição fortalecerá a autonomia da legenda ou apenas adiará uma definição que inevitavelmente será cobrada pelo eleitorado durante a campanha.



