LIMEIRA

MP investiga técnico de vôlei por suspeita de exigir parte de auxílio pago a atletas

Inquérito civil apura suposto uso irregular de recursos públicos em Limeira

Juliana Scudeler Salto
Juliana Scudeler Salto

Publicado em 14 de julho de 2026, 18:02 — Em Limeira

3 min de leitura
MP investiga técnico de vôlei por suspeita de exigir parte de auxílio pago a atletas
MP investiga técnico de vôlei por suspeita de exigir parte de auxílio pago a atletas

O Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito civil para apurar uma suspeita de desvio de recursos públicos destinados a atletas de um projeto de vôlei em Limeira. O investigado é o técnico Fábio Eduardo Cassiano, acusado de exigir parte da ajuda de custo paga pela Prefeitura aos participantes do programa esportivo.

Segundo a investigação, cada atleta recebia um auxílio mensal de R$500, mas era obrigado a transferir R$350 ao treinador por meio de Pix para sua conta pessoal.

Diante dos indícios levantados, o Ministério Público recomendou que a Prefeitura de Limeira suspendesse imediatamente o contrato com o Instituto Esportivo Crescer Juntos, responsável pela execução do projeto, além de interromper todos os repasses financeiros à entidade. A administração municipal informou que acatou a recomendação.

O treinador foi afastado preventivamente de todas as funções de coordenação e treinamento logo após a denúncia chegar ao MP, em 17 de junho deste ano.

A investigação também inclui a presidente do Instituto Crescer Juntos, Fúlvia Lúcia Margotti. Conforme a Promotoria, há indícios de que ela tinha conhecimento das supostas irregularidades praticadas pelo técnico.

Os dois negam qualquer irregularidade. Em manifestação à imprensa, Fábio Eduardo Cassiano e Fúlvia afirmaram que não houve desvio de recursos públicos. A presidente do instituto disse possuir notas fiscais, comprovantes e prestações de contas que demonstrariam a correta aplicação dos recursos.

Os valores pagos aos atletas estavam previstos no edital de fomento firmado entre a Prefeitura de Limeira e o Instituto Crescer Juntos, selecionado por chamamento público para desenvolver o projeto esportivo. O benefício poderia chegar a R$500 mensais por atleta.

O Ministério Público encaminhou ofícios à Prefeitura e ao instituto, concedendo prazo de 20 dias para apresentação de esclarecimentos. A promotora Débora Bertolini informou que existem provas consideradas consistentes de que a presidente da entidade tinha conhecimento das cobranças feitas pelo treinador.

A recomendação para suspensão do contrato se baseia, segundo o MP, em comprovantes de transferências via Pix para a conta do técnico e em indícios de conivência por parte da direção da instituição. A Prefeitura recebeu prazo de 48 horas para comprovar o cumprimento da medida.

A promotora confirmou que o inquérito foi instaurado oficialmente na segunda-feira, dia 13, enquanto os ofícios foram enviados hoje, terça-feira dia 14.

Ainda de acordo com o Ministério Público, aproximadamente 500 alunos atendidos pelo projeto esportivo foram impactados pela suspensão das atividades. O órgão também encaminhou a denúncia à Polícia Civil, solicitando a abertura de um inquérito policial.

Durante as apurações, também foi identificada a existência de um alojamento particular administrado pelo técnico, onde eram selecionados atletas para o projeto. O local também passou a ser investigado pela Promotoria da Infância de Limeira.

Em nota, o Instituto Crescer Juntos informou que teve acesso apenas parcial ao conteúdo do inquérito, reiterou que não houve desvio de recursos públicos e afirmou que apresentará manifestação completa após ter acesso integral ao procedimento.

Já a Prefeitura Municipal informou que instaurou sindicância administrativa assim que tomou conhecimento das denúncias. A administração também confirmou a suspensão do contrato com o instituto e o bloqueio dos repasses financeiros, ressaltando que continuará colaborando com o Ministério Público e que eventuais irregularidades serão tratadas com rigor.

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