Urgente
Tudo é Engenharia — Você confia sem perceber
ESTADO

Lula questiona ministros do STF em meio à crise no caso Banco Master

A menos de 20 dias da eleição, presidente questiona ministros que comandam a Justiça Eleitoral.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 17 de setembro de 2026, 11:15 — Em São Paulo

4 min de leitura
Lula questiona ministros do STF em meio à crise no caso Banco Master
Lula questiona ministros do STF em meio à crise no caso Banco Master

A pouco menos de 20 dias das eleições, a relação entre o governo federal e o Supremo Tribunal Federal voltou ao centro do debate político. Em entrevista concedida na terça-feira (15.set.2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas nominais a três integrantes da Corte: Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli.

Os três ministros têm outro ponto em comum: integram o Tribunal Superior Eleitoral, que está à frente da organização e fiscalização do processo eleitoral deste ano. Nunes Marques ocupa atualmente a presidência do TSE.</b>

As declarações ocorreram no mesmo dia em que o STF protagonizou uma das sessões mais tensas dos últimos meses. O plenário discutiu questões relacionadas à atuação do ministro Alexandre de Moraes no caso Banco Master e à possibilidade de abertura de investigação, em uma sessão marcada por divergências entre os próprios ministros. O julgamento acabou interrompido após pedido de vista de Flávio Dino.

Um dos pontos levantados por Lula foi justamente a ausência de Nunes Marques e Toffoli na votação. Nunes Marques declarou impedimento, enquanto Toffoli alegou suspeição, razões que os retiraram da apreciação do caso. Com isso, o número de ministros aptos a votar foi reduzido.

Ao comentar o episódio, Lula questionou publicamente as razões pelas quais os dois ministros não participaram da sessão. A crítica ocorre em um momento particularmente sensível: além de integrarem o STF, ambos têm funções relacionadas à Justiça Eleitoral, e Nunes Marques preside o TSE durante o período que antecede a votação.

O caso Master</b>

As declarações do presidente também retomaram sua cobrança em relação à atuação de André Mendonça no caso envolvendo o Banco Master.

Lula voltou a afirmar que o ministro teria tornado públicos apenas documentos que seriam de seu interesse. Trata-se de uma acusação feita pelo presidente, e não de uma conclusão judicial estabelecida sobre a conduta de Mendonça.</b>

A discussão sobre os sigilos ganhou força nas últimas semanas. Mendonça determinou a retirada do sigilo de parte das investigações relacionadas ao caso depois de um pedido feito pelo presidente do STF, Edson Fachin. Ao mesmo tempo, permanecem sob sigilo documentos referentes a dezenas de quebras de sigilo bancário e fiscal autorizadas no âmbito da investigação.</u>

O episódio se tornou ainda mais complexo porque o caso envolve diferentes ministros do Supremo, decisões sobre sigilos, suspeições e impedimentos, além de informações relacionadas às relações entre pessoas investigadas e integrantes ou familiares de membros da Corte.

Na sessão de terça-feira, a discussão que deveria avançar sobre a situação de Moraes acabou também expondo divergências internas do próprio STF. O plenário registrou placar provisório de 4 votos a 3 sobre a forma de tramitação dos processos envolvendo Moraes e Mendonça, antes da interrupção do julgamento.

Uma crise que ultrapassa a disputa entre ministros</b>

O episódio deixa de ser apenas uma divergência entre integrantes do Judiciário quando passa a envolver questionamentos públicos feitos pelo presidente da República, às vésperas de uma eleição e diante de um tribunal responsável pela condução do processo eleitoral.

De um lado, Lula cobra explicações de ministros e questiona decisões relacionadas à publicidade de informações e à participação de magistrados em julgamentos. De outro, integrantes do STF sustentam suas decisões com base em impedimentos, suspeições e regras processuais. No meio desse embate está uma questão maior: até que ponto instituições públicas devem expor seus procedimentos quando a confiança da sociedade está sendo colocada à prova?

A proximidade das eleições torna o cenário ainda mais delicado. Críticas políticas ao Judiciário fazem parte do debate democrático, assim como decisões judiciais podem e devem ser submetidas à análise pública. Mas a credibilidade das instituições também depende de que acusações sejam acompanhadas de evidências, que decisões sejam justificadas e que os limites entre disputa política e funcionamento institucional permaneçam claramente identificáveis.

Mais do que escolher lados entre governo e Supremo, o episódio levanta perguntas que interessam diretamente à sociedade: quais critérios devem determinar quando um processo judicial permanece sob sigilo? Em que circunstâncias um ministro deve se declarar impedido ou suspeito? Como garantir transparência sem comprometer investigações? E qual deve ser o limite das críticas de autoridades políticas ao Judiciário, especialmente durante um processo eleitoral?

São questões que não dizem respeito apenas a Lula, aos ministros do STF ou ao caso Banco Master. Dizem respeito à forma como instituições democráticas prestam contas à população.

Em um momento de crescente tensão entre os Poderes, talvez o ponto central do debate não seja simplesmente quem tem razão em cada episódio, mas quais procedimentos, garantias e mecanismos de transparência são capazes de fazer com que decisões institucionais sejam compreendidas e fiscalizadas pela sociedade. É esse debat baseado em fatos, documentos e regras públicas que pode contribuir para preservar a confiança nas instituições, independentemente de quem esteja no governo ou na composição dos tribunais.</u>

Gostou? Compartilhe:

Leia também