Importação de calçados asiáticos pressiona indústria brasileira
China lidera fornecimento com quase 10 milhões de pares no primeiro semestre
Publicado em 17 de julho de 2026, 14:31 — Em Franca

A indústria calçadista brasileira enfrenta concorrência crescente de produtos asiáticos, com China, Vietnã e Indonésia ampliando sua participação no mercado nacional. Somente a China exportou 9,7 milhões de pares de calçados ao Brasil no primeiro semestre do ano, mantendo a liderança entre os fornecedores estrangeiros do setor.
O avanço das importações oriundas desses países representa um desafio direto para os fabricantes nacionais, que competem em preço com produtos produzidos em economias de mão de obra mais barata e com estruturas industriais de larga escala. A presença crescente desses calçados nas prateleiras brasileiras reflete uma tendência de expansão das exportações asiáticas para mercados da América Latina.
O Brasil possui um dos maiores polos calçadistas do mundo, com regiões produtoras consolidadas no Rio Grande do Sul, em São Paulo e no Ceará. O estado de São Paulo concentra parte expressiva da cadeia produtiva, incluindo o polo de Franca, reconhecido nacionalmente pela fabricação de calçados masculinos de couro, e que sente diretamente os efeitos da concorrência externa.
A entrada maciça de produtos importados a preços reduzidos impacta não apenas os fabricantes, mas toda a cadeia produtiva, incluindo fornecedores de insumos, curtumes e trabalhadores do setor. Especialistas do segmento alertam que a competitividade desigual pode comprometer postos de trabalho e investimentos nas regiões produtoras.
O debate sobre medidas de proteção tarifária e políticas industriais para o setor calçadista ganhou força nos últimos anos diante do avanço das importações. Entidades representativas do setor acompanham os dados de comércio exterior e pressionam por condições mais equilibradas de concorrência no mercado interno.



