Flávio mira Lula em sabatina e cita presidente ao menos 17 vezes
Candidato do PL também responsabilizou Lula pelo tarifaço dos EUA e repetiu críticas ao atual governo durante entrevista à TV Globo.
Publicado em 31 de agosto de 2026, 10:53 — Em São Paulo

A estratégia adotada por Flávio Bolsonaro (PL) durante a sabatina da TV Globo, nesta sexta-feira (28.ago.2026), teve um alvo recorrente: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao longo dos 40 minutos de entrevista, o candidato à Presidência mencionou nominalmente o chefe do Executivo ao menos 17 vezes e fez do atual governo um dos principais focos de suas respostas.
</b>O tom contrasta com a entrevista concedida por Lula na noite anterior, quinta-feira (27.ago), quando o petista evitou citar nominalmente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao se referir à administração anterior, Lula utilizou a expressão “outro governo”. Os dois candidatos foram entrevistados pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos, em sabatinas realizadas em dias diferentes.
Durante a entrevista, Lula fez apenas uma referência direta à gestão de Bolsonaro. Ao defender a necessidade da chamada PEC da Transição, afirmou que a medida teria sido necessária para fazer frente a um déficit deixado pela administração anterior.
A PEC da Transição foi inclusive para pagar o rombo deixado pelo outro governo. Deixou um rombo de R$ 94 bilhões de dívida com as pessoas, que nós tivemos que pagar.
Flávio, por sua vez, adotou uma postura mais direta de confronto com o atual presidente. Além das 17 menções nominais a Lula, o senador utilizou a expressão “atual governo” dez vezes ao longo da sabatina, recorrendo ao desempenho da administração petista para sustentar críticas e apresentar sua própria candidatura como alternativa.
“Quem deve explicações é o atual presidente”</i></b>
Um dos momentos de maior tensão ocorreu quando Flávio foi questionado sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, e sobre sua relação com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
O candidato negou a existência de irregularidades e deslocou o foco da resposta para o governo federal. Na avaliação de Flávio, Lula seria quem deveria prestar esclarecimentos sobre questões relacionadas à atual administração.</i>
A mesma estratégia apareceu em outros momentos da entrevista: diante de questionamentos sobre sua atuação e sobre episódios envolvendo o grupo político ao qual pertence, o senador procurou direcionar o debate para decisões e resultados do governo Lula.</i>
Tarifaço entra no confronto
A política externa também foi utilizada por Flávio para atacar diretamente o presidente. O candidato responsabilizou Lula pela sobretaxa de 50% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras e afirmou que o petista teria contribuído para provocar a medida ao adotar uma postura de confronto com Donald Trump.
“Lula procurou muito essa tarifa”, declarou.
Em outro momento, Flávio afirmou que o presidente “cavou com força” a sobretaxa ao provocar o chefe do governo norte-americano.
As declarações colocam a política econômica e externa no centro da disputa eleitoral e transformam a relação entre Lula e Trump em mais um campo de confronto entre os candidatos.
Dois estilos de campanha
O contraste entre as duas entrevistas revela também estratégias eleitorais distintas. Enquanto Lula evitou transformar Jair Bolsonaro no personagem central de sua sabatina, Flávio fez do atual presidente uma referência constante para explicar sua visão sobre os principais problemas do país.
A diferença pode ser interpretada como parte de uma escolha política: de um lado, a tentativa de não reavivar diretamente a figura do principal adversário político; de outro, a aposta em associar a candidatura ao desempenho e às críticas do governo que está no poder.



