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Flávio Bolsonaro sinaliza mandato único caso seja eleito

O candidato do PL promete reformas profundas se chegar ao Planalto.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 28 de agosto de 2026, 15:40 — Em São Paulo

3 min de leitura
Flávio Bolsonaro sinaliza mandato único caso seja eleito
Flávio Bolsonaro sinaliza mandato único caso seja eleito

Em meio a uma campanha presidencial marcada por turbulências, disputas políticas e dificuldades na formação de alianças, o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou a altos executivos do mercado financeiro que, caso seja eleito em outubro, não pretende disputar a reeleição.

A declaração foi interpretada como um sinal de que o senador pretende ter liberdade para promover reformas profundas na economia durante um eventual mandato. A estratégia também busca transmitir ao mercado a ideia de que um governo sem a preocupação de conquistar um segundo mandato poderia adotar medidas consideradas impopulares, mas necessárias para reorganizar as contas públicas e promover mudanças estruturais.

A promessa ocorre em um momento delicado da campanha. Desde que passou a ser tratado como o principal nome do bolsonarismo para a sucessão presidencial, Flávio enfrenta desafios para consolidar sua candidatura, ampliar alianças e conquistar eleitores além de sua base política mais fiel.

Um dos episódios que expôs as dificuldades da campanha ocorreu em agosto, quando Flávio apareceu no sistema eleitoral como filiado ao partido Missão, e não ao PL. O problema inicialmente impediu o registro da candidatura e levou a campanha a acionar a Polícia Federal para investigar o episódio.

A escolha do vice também provocou dificuldades. A senadora Tereza Cristina chegou a ser anunciada por Flávio como possível integrante da chapa, mas o PP vetou a composição. Com isso, a campanha precisou reorganizar seus planos, em mais um episódio que evidenciou as dificuldades para estruturar a candidatura.

Na área econômica, Flávio tenta apresentar-se como um candidato disposto a enfrentar o desequilíbrio fiscal. No início oficial da campanha, adotou um discurso de forte contenção de despesas e prometeu “tesourar” as contas públicas. A aproximação com executivos do mercado financeiro ocorre justamente em uma eleição na qual temas como dívida pública, gastos do governo, juros e reformas deverão ocupar espaço relevante no debate.

Ao mesmo tempo, o candidato do PL enfrenta uma ofensiva de seus adversários. A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, intensificou os ataques a Flávio na propaganda eleitoral, explorando episódios controversos e tentando ampliar a rejeição ao nome bolsonarista.

A equipe de Flávio também procura modificar estratégias para alcançar segmentos nos quais enfrenta maior resistência. Entre as iniciativas recentes está uma tentativa de ampliar o diálogo com o eleitorado feminino, considerado fundamental para aumentar sua competitividade na disputa.

Nesse cenário, a promessa de não disputar um segundo mandato assume diferentes significados. Para o mercado financeiro, pode representar a disposição de adotar medidas econômicas de longo prazo sem calcular seus efeitos sobre uma futura campanha eleitoral. Para o eleitor, porém, permanece uma questão fundamental: um presidente que não pretende buscar a reeleição teria mais liberdade para realizar reformas ou encontraria ainda mais dificuldades para construir apoio político no Congresso?

A resposta dependerá, sobretudo, da capacidade de transformar a promessa em um programa econômico concreto, transparente e viável. Em uma eleição marcada pela polarização e por uma disputa cada vez mais acirrada, o desafio dos candidatos não deveria ser apenas demonstrar capacidade para vencer nas urnas, mas apresentar com clareza como pretendem governar depois da vitória.

O debate público que se coloca é justamente esse: o Brasil se beneficiaria de um presidente comprometido com um único mandato e, portanto, supostamente mais disposto a enfrentar decisões difíceis? Ou a possibilidade de reeleição é importante para garantir continuidade e apoio político às políticas de longo prazo?

No caso de Flávio Bolsonaro, a promessa de não disputar a reeleição poderá ser julgada menos pelo discurso feito ao mercado e mais pelas propostas apresentadas à população. Afinal, mais importante do que saber se um presidente permanecerá quatro ou oito anos no poder é compreender quais mudanças pretende realizar, quais serão seus custos e quem será beneficiado por elas.

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