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Falta de ônibus no 2º turno em SP: PF investiga e Justiça cobra explicações da Prefeitura

Levantamento apontou 71% da frota nas ruas, abaixo dos 100% exigidos pela Justiça Eleitoral; Nunes nega falta de ônibus e diz que a oferta superou a demanda

GP
Guilherme Pinazza

Publicado em 26 de outubro de 2026, 12:20 — Em São Paulo

3 min de leitura
Falta de ônibus no 2º turno em SP: PF investiga e Justiça cobra explicações da Prefeitura
Falta de ônibus no 2º turno em SP: PF investiga e Justiça cobra explicações da Prefeitura

A Polícia Federal apura se houve redução proposital da frota de ônibus no domingo (25), dia do 2º turno, em cinco estados — entre eles São Paulo. Na capital paulista, a Justiça Eleitoral intimou a Prefeitura e a SPTrans a explicarem por que a cidade não colocou nas ruas toda a frota de dia útil, como havia sido determinado.

O que a Justiça mandou

Atendendo a uma ação de parlamentares do PSOL, a 1ª Zona Eleitoral de São Paulo determinou que a Prefeitura e a SPTrans operassem no 2º turno com 100% da frota usada nos dias úteis. A decisão previa multa pessoal de R$ 100 mil ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) e ao presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, em caso de descumprimento.

A Prefeitura afirma que foi notificada às 13h10 de sábado (24) e que repassou a ordem às empresas de ônibus às 13h59.

O que aconteceu no domingo

Um levantamento feito com dados do aplicativo BusInfo apontou que, às 14h40, 9.786 dos 13.767 ônibus municipais estavam em circulação — 71% da frota, abaixo dos 100% determinados. Num domingo comum, a cidade opera com cerca de 35% da frota; aos sábados, com 50%.

O PT denunciou à Justiça Eleitoral que a operação estava em 60% e relatou longas esperas. Passageiros contaram ter aguardado até três horas por ônibus no Terminal Varginha, no extremo sul. Houve relatos de filas em Santana, no Jardim Ângela, na Vila Zilda, no Jaraguá e na Estrada do M'Boi Mirim. Em Santana, ônibus foram vistos parados enquanto passageiros esperavam na chuva.

O que diz a Prefeitura

Ricardo Nunes negou falta de ônibus e afirmou que a oferta foi maior que a demanda. "Não houve, em nenhum lugar da cidade, falta de ônibus", disse. O prefeito admitiu, porém, que as empresas podem ter tido dificuldade para cumprir a decisão a tempo.

Segundo a Prefeitura, no 1º turno circularam 6,9 mil ônibus para 3,4 milhões de passageiros, e a ideia era repetir a operação. A gestão diz que a ordem judicial chegou com menos de 24 horas de antecedência e exigiria mobilizar mais de 10 mil trabalhadores.

Votação até as 19h

Diante de relatos de falta de ônibus em vários estados, o ministro Cristiano Zanin, do STF, atendeu a um pedido da campanha de Lula e prorrogou o horário de votação em todo o país das 17h para as 19h. O pedido da coligação citava São Paulo e outros oito estados. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) chegou a pedir prorrogação em cidades de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul atingidas por chuvas, mas criticou a decisão de Zanin, que chamou de "inexplicável". O governador Tarcísio de Freitas também cobrou explicações sobre a medida.

A investigação

A PF investiga possíveis crimes de impedimento ou embaraço ao exercício do voto e de recusa de transporte no dia da eleição em São Paulo, na Bahia, em Alagoas, no Piauí e em Sergipe. Segundo o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF, Dennis Cali, as apurações seguem com coleta de depoimentos e verificação dos fatos. Novas diligências estavam previstas para esta segunda-feira (26).

A abertura de investigação não significa que houve crime nem aponta responsáveis. Em Salvador, o caso mais grave, o TRE-BA mandou prender o secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, depois que ônibus foram mantidos nas garagens.

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