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Flávio Bolsonaro não reconhece derrota e vai pedir anulação da eleição

Derrotado por Lula por 51,78% a 48,22%, o senador atribuiu o resultado à decisão do STF que prorrogou a votação e afirmou que acionará a Justiça

GP
Guilherme Pinazza

Publicado em 25 de outubro de 2026, 23:38 — Em São Paulo

2 min de leitura
Canal Estado SP
Flávio Bolsonaro não reconhece derrota e vai pedir anulação da eleição
Flávio Bolsonaro não reconhece derrota e vai pedir anulação da eleição

Derrotado no segundo turno das eleições presidenciais neste domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que não reconhece o resultado e anunciou que vai pedir a anulação do pleito na Justiça. O pronunciamento foi feito em Brasília, horas depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"É impossível reconhecer os resultados das eleições no contexto como essas coisas aconteceram", disse. "Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições."

Com quase a totalidade das seções apuradas, Lula somou 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio — diferença superior a 4,4 milhões de votos.

O argumento do senador

A contestação se concentra na decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou em duas horas o horário de votação nas seções cujas urnas ainda não haviam sido fechadas.

"Eu não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo", afirmou o senador, que classificou a medida como uma "canetada" que "atropelou a justiça especializada". Para ele, houve "quebra total de isonomia" entre eleitores de diferentes cidades e estados.

As duas campanhas pediram a prorrogação

A decisão do STF atendeu a pedidos dos dois lados. A campanha de Lula solicitava a prorrogação em São Paulo, Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana, sob o argumento de que ocorrências teriam impedido eleitores de chegar às urnas. A de Flávio pedia o mesmo para São Paulo, Paraná e Santa Catarina, em razão de chuvas intensas, alagamentos e bloqueios de vias.

O que diz o TSE

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, falou à imprensa antes do pronunciamento do senador. Reconheceu que a prorrogação, decidida após o horário inicial de encerramento, trouxe dificuldades técnicas e exigiu ajustes na totalização, mas disse que os problemas foram contornados e afirmou ter "absoluta segurança de todo o processo eleitoral". Segundo ele, prorrogar uma votação é possível, mas exige planejamento e estruturação prévios. Nunes Marques disse ainda ter telefonado a Lula e a Flávio para comunicar o resultado.

Lula promete governar para todos

Reeleito para um quarto mandato, Lula adotou tom conciliador. "Agora a gente não tem mais adversário. Eu tenho que governar para 215 milhões de brasileiros", declarou. "Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas esse presidente foi eleito para governar para todos."

Até a noite deste domingo, o pedido de anulação anunciado por Flávio Bolsonaro ainda não havia sido formalizado na Justiça Eleitoral.

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