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Tarcísio mira saúde mental e vício em apostas em novo mandato

Governador promete ampliar tratamento contra vício em apostas, mas acesso à rede pública ainda é desafio.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 19 de agosto de 2026, 11:05 — Em São Paulo

3 min de leitura
Tarcísio mira saúde mental e vício em apostas em novo mandato
Tarcísio mira saúde mental e vício em apostas em novo mandato

O avanço das apostas esportivas e os impactos do vício em jogos entraram no radar do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição. Durante uma sabatina realizada nesta segunda-feira (17/8), o governador afirmou que pretende colocar a saúde mental entre as prioridades de um eventual segundo mandato e ampliar as ações voltadas à dependência em apostas.

Ao falar sobre o crescimento das chamadas bets, Tarcísio classificou o fenômeno como uma questão de saúde pública e defendeu uma resposta mais abrangente do poder público.

“Ou o Brasil acaba com a bet ou a bet acaba com o Brasil. A gente tem que entender que isso é um problema de saúde”, afirmou.

A declaração foi dada durante evento promovido pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios de São Paulo (SindHosp), diante de executivos do setor. Na ocasião, o governador comparou o enfrentamento à dependência em apostas às políticas adotadas no passado contra o tabagismo.

Segundo Tarcísio, a experiência brasileira no combate ao cigarro mostra que campanhas de conscientização e políticas públicas podem produzir resultados. Para ele, entretanto, o desafio atual pode ser ainda maior diante da expansão das plataformas de apostas.

“Nós fomos efetivos para tirar as pessoas do tabaco. E aí a pergunta é: será que nós vamos conseguir ser efetivos para livrar as pessoas das bets?”, questionou.

Saúde mental como prioridade

A proposta apresentada pelo governador coloca a saúde mental como um dos pilares de um eventual novo mandato. Dentro dessa estratégia, o tratamento de pessoas que desenvolveram dependência em jogos aparece como uma das frentes que deverão receber atenção.

São Paulo já conta com uma iniciativa voltada especificamente ao problema. O estado foi o primeiro do país a criar um programa destinado à capacitação profissional e ao atendimento de pessoas afetadas pelo vício em jogos, com tratamento realizado em centros especializados.

A existência do programa, porém, contrasta com dificuldades encontradas na rede pública para quem busca atendimento.

Em 2025, uma reportagem do Metrópoles percorreu sete unidades de saúde na tentativa de encontrar informações e acesso ao tratamento para dependência em jogos. Foram visitados quatro Centros de Atenção Psicossocial (Caps), uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Segundo a reportagem, somente no sétimo local visitado houve informações concretas sobre o atendimento e possibilidade de iniciar o tratamento. Até chegar à unidade, foram percorridos cerca de 30 quilômetros.

A discussão sobre as bets, portanto, ultrapassa a questão da regulamentação das plataformas. O desafio apresentado pelo próprio governador envolve também a capacidade da rede pública de identificar, acolher e tratar pessoas que desenvolvem comportamento compulsivo relacionado às apostas.

O debate público passa por uma questão central: não basta reconhecer o vício em apostas como um problema de saúde se o cidadão não consegue encontrar, de forma rápida e acessível, onde buscar ajuda.

De um lado, há a necessidade de discutir mecanismos de prevenção, regulação e conscientização sobre os riscos das apostas. De outro, está a responsabilidade do poder público em garantir que quem já enfrenta o problema tenha acesso efetivo a tratamento especializado.

A expansão das bets transformou uma prática antes restrita em uma atividade presente no cotidiano de milhões de brasileiros. Agora, o debate precisa avançar para além da disputa entre proibir ou permitir.

A pergunta que fica para a sociedade é direta: se a dependência em apostas é, de fato, uma questão de saúde pública, o país está preparado para tratar quem precisa de ajuda ou ainda está apenas começando a reconhecer o tamanho do problema?

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