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EUA destinam US$ 1 milhão a projeto contra o STF

Verba de Trump mira atuação do Supremo em meio às eleições brasileiras.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 2 de outubro de 2026, 17:09 — Em São Paulo

2 min de leitura
EUA destinam US$ 1 milhão a projeto contra o STF
EUA destinam US$ 1 milhão a projeto contra o STF

O governo de Donald Trump destinou US$ 1 milhão para um programa voltado a grupos que contestam a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil. A informação foi revelada pelo jornal britânico The Guardian e repercutida no país pelo jornalista Jamil Chade, do ICL Notícias.

Batizado de “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”, o projeto prevê recursos para organizações da sociedade civil que se opõem ao que classificam como excesso de poder judicial e censura por parte da Suprema Corte brasileira. Os recursos fazem parte do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado dos Estados Unidos.</b>

O caso, porém, não se limita ao Brasil. Segundo a apuração do The Guardian, a administração Trump redirecionou mais de US$ 175 milhões do fundo para 43 iniciativas associadas a pautas conservadoras e de direita em diferentes países. O movimento representa uma mudança na destinação de uma verba originalmente voltada à promoção de direitos humanos e instituições democráticas.

Disputa dentro dos EUA

A liberação dos recursos também provocou resistência no próprio Congresso americano. Segundo a reportagem, a senadora democrata Jeanne Shaheen havia colocado bloqueios sobre dez repasses, que somavam US$ 22 milhões. Ainda de acordo com a apuração, o secretário de Estado, Marco Rubio, assinou um memorando para autorizar os recursos apesar das restrições.

O Departamento de Estado, por sua vez, afirmou ao The Guardian que os projetos seguem as diretrizes para concessão de subsídios e passam por processos de avaliação. A reportagem também registra que não havia confirmação pública de que todos os valores já tivessem sido efetivamente transferidos aos beneficiários</b>.

A revelação ocorre em um momento particularmente sensível da relação entre Washington e Brasília. O governo Trump já havia adotado medidas contra o ministro Alexandre de Moraes e criticado decisões do STF relacionadas a plataformas digitais. Agora, a destinação de recursos a organizações que contestam a Corte acrescenta uma nova dimensão à tensão entre os dois países.

No Brasil, a Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou a investigação sobre o possível financiamento estrangeiro de iniciativas contra instituições brasileiras, diante das implicações do caso para a soberania nacional e o processo eleitoral.

Onde termina a crítica e começa a interferência?

Questionar decisões do STF faz parte do debate democrático. A própria Corte, assim como qualquer instituição pública, está sujeita à crítica, ao escrutínio da sociedade e aos mecanismos de controle previstos na Constituição.

A questão que o episódio coloca é outra: até que ponto um governo estrangeiro pode financiar organizações para atuar sobre uma disputa institucional e política dentro de outro país?

Em uma democracia, críticas ao Judiciário precisam permanecer abertas ao debate público. Ao mesmo tempo, a origem dos recursos utilizados para influenciar esse debate também merece transparência. Entre a defesa legítima de direitos e a interferência externa existe uma fronteira que precisa ser conhecida, fiscalizada e discutida publicamente; especialmente quando o financiamento ocorre às vésperas de uma eleição nacional.</u>

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