Tarcísio diz que caso Haddad aponta falsa comunicação de crime
Câmeras e GPS confrontam versões do episódio.
Publicado em 17 de agosto de 2026, 13:55 — Em São Paulo

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou neste domingo (16/8) que as primeiras conclusões da investigação sobre uma suposta abordagem policial ao motorista de Fernando Haddad (PT) indicam que o episódio pode ter sido uma falsa comunicação de crime.
Segundo Tarcísio, a Polícia Civil já analisou imagens de mais de 70 câmeras e também dados de GPS das viaturas envolvidas. O motorista de Haddad deverá ser intimado a prestar depoimento no inquérito.
“A gente está apurando isso com a maior responsabilidade do mundo porque, se houvesse algum problema, algum desvio de conduta, a gente ia punir severamente. Mas tudo está mostrando que não houve absolutamente nada e se trata, no final das contas, de uma falsa comunicação”, declarou o governador.
Na versão apresentada por Tarcísio, uma das viaturas teria passado pela rua onde o motorista estava e, pouco depois, seguido para o estacionamento do batalhão. Outra teria circulado nas proximidades do hotel sem parar ou realizar qualquer abordagem.
O governador afirmou ainda que os registros indicam que essa segunda viatura teria se juntado posteriormente a outro veículo policial para realizar patrulhamento em outra região. Para Tarcísio, os elementos reunidos até agora não confirmariam a narrativa de perseguição ou intimidação.
O episódio veio a público depois que Haddad relatou que o veículo em que estava seu motorista teria sido acompanhado por uma viatura na noite de terça-feira (11/8), após o candidato ser deixado em casa. O ex-ministro classificou a situação como “um pouco intimidadora” e disse que o trabalhador ficou abalado.
“Quero crer que possa ter havido alguma confusão. Mas o meu motorista ficou muito assustado pela maneira como isso aconteceu”, afirmou Haddad. Segundo ele, havia três fuzis dentro da viatura e os policiais observavam o motorista durante o episódio.
Caso a investigação conclua que houve comunicação deliberadamente falsa de um crime ou contravenção, o responsável poderá responder criminalmente. O Código Penal prevê detenção de um a seis meses ou multa para quem comunica uma ocorrência que sabe não ter acontecido.
O caso coloca em lados opostos duas versões que ainda precisam ser confrontadas pelas provas da investigação.
Mais do que uma disputa política entre adversários, o episódio exige que a apuração seja conduzida com transparência e que imagens, registros de GPS, depoimentos e demais evidências sejam analisados de forma independente. Se houve abuso policial, é necessário responsabilizar os envolvidos. Se a ocorrência foi comunicada sem que tivesse acontecido, também deve haver responsabilização.
Em um período eleitoral marcado pela polarização, o desafio é impedir que um episódio ainda sob investigação seja transformado em instrumento de disputa antes que os fatos sejam definitivamente esclarecidos.



