Tarcísio defende Polícia Civil após críticas à operação Wi-Fi
Governador rebate acusações de interferência política e defende autonomia da corporação.
Publicado em 27 de agosto de 2026, 15:12 — Em São Paulo

A atuação da Polícia Civil de São Paulo na Operação Wi-Fi entrou no centro de uma disputa política depois que setores da oposição passaram a questionar a condução das investigações. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) rejeitou nesta terça-feira (25.ago.2026) a acusação de que a corporação estaria “mascarando” o caso para preservar aliados políticos e classificou a declaração como um “desrespeito” aos policiais paulistas.
</b>Durante o VII Seminário de Enfrentamento à Violência Doméstica, realizado em Santana, na zona norte da capital, Tarcísio afirmou que a Polícia Civil deve atuar de maneira independente e institucional. Segundo o governador, trata-se de uma “polícia de Estado, não de governo”.
A manifestação ocorre em um momento de aumento da pressão sobre a investigação. Na segunda-feira (24.ago), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a acessar elementos reunidos pela Polícia Civil paulista durante a operação. A determinação envolve documentos, dados e outros materiais apreendidos na apuração e estabelece prazo de cinco dias para o compartilhamento.
A Operação Wi-Fi investiga suspeitas relacionadas a um contrato de cerca de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Paralelamente, a Polícia Federal apura a possível utilização irregular de emendas parlamentares na produção do longa.
</i>A decisão de Dino amplia o cruzamento de informações entre as investigações e coloca sob escrutínio o material já obtido pela polícia paulista. Para Tarcísio, entretanto, o compartilhamento das provas não representa uma desconfiança em relação à Polícia Civil. O governador afirmou que a corporação cumprirá a determinação judicial e enviará os elementos solicitados à PF.
O episódio também expõe uma questão que ultrapassa a disputa política em torno do caso: até onde vai a autonomia das polícias estaduais quando uma investigação passa a interessar a uma apuração conduzida em âmbito federal?
De um lado, a defesa da independência das instituições é fundamental para impedir que investigações sejam utilizadas como instrumentos de disputa partidária. De outro, quando há suspeitas sobre possíveis conflitos de interesse ou sobre a atuação de agentes públicos, transparência, fiscalização e compartilhamento de informações são mecanismos legítimos de controle.
O debate, portanto, não deveria se limitar a quem está politicamente certo ou errado. A questão central é outra: quais mecanismos são necessários para garantir que uma investigação envolvendo agentes públicos e interesses políticos seja conduzida com independência, transparência e acesso efetivo aos elementos que possam esclarecer os fatos?



