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Fim da reeleição vira aposta de Flávio Bolsonaro para unir direita

Movimento tenta unir principais nomes da direita em torno da candidatura de Flávio e abrir caminho para novos projetos presidenciais.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 27 de agosto de 2026, 09:28 — Em São Paulo

3 min de leitura
Fim da reeleição vira aposta de Flávio Bolsonaro para unir direita
Fim da reeleição vira aposta de Flávio Bolsonaro para unir direita

A defesa do fim da reeleição passou a ocupar espaço estratégico no projeto eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL) para 2026. Mais do que uma proposta institucional, o movimento é tratado por aliados do senador como uma tentativa de criar um ponto de convergência entre diferentes lideranças da direita e, principalmente, aproximar nomes que ainda demonstram cautela em relação à sua candidatura ao Palácio do Planalto.

Entre os principais alvos dessa articulação estão Michelle Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Nikolas Ferreira (PL). Os três têm forte capacidade de mobilização junto ao eleitorado conservador e são considerados peças importantes para ampliar o alcance da campanha de Flávio.

O problema, segundo aliados do senador, é que nenhum deles estaria disposto, até o momento, a mergulhar completamente na disputa. A avaliação dentro da campanha é que a resistência está relacionada aos próprios projetos eleitorais de médio prazo de cada um.

Tarcísio, por exemplo, poderá disputar a reeleição ao governo de São Paulo em 2026. Caso permaneça no cargo, não poderá concorrer novamente em 2030. Nesse cenário, setores ligados ao governador avaliam que uma candidatura presidencial seria o caminho mais natural.

Michelle também poderia preservar um projeto nacional. Se for eleita senadora em 2026, estará no meio de um mandato em 2030, condição que permitiria uma eventual candidatura à Presidência sem a necessidade de deixar o cargo no meio do caminho.

Nikolas Ferreira, por sua vez, ainda precisa esperar mais tempo para disputar o Planalto. A Constituição estabelece idade mínima de 35 anos para a Presidência da República, requisito que o deputado só atingirá em 2031.

É justamente nesse cenário que a proposta defendida por Flávio ganha importância eleitoral. A possibilidade de o senador ser eleito presidente em 2026 e buscar a reeleição em 2030 poderia, em tese, fechar espaço para os projetos presidenciais de Tarcísio e Michelle naquele ciclo.

A ideia, portanto, seria transformar o fim da reeleição em uma espécie de pacto político dentro da direita. Com apenas um mandato presidencial, Flávio reduziria a possibilidade de permanecer no cargo até 2034 e abriria espaço para que outras lideranças pudessem disputar a Presidência em 2030.

Para dar peso à proposta e afastar a interpretação de que se trata apenas de uma estratégia eleitoral, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, assumiu papel central na defesa da mudança. Em declaração ao portal PlatôBR, Marinho afirmou que, caso Flávio seja eleito, a intenção é trabalhar pelo fim da reeleição já durante a eventual transição de governo.

A movimentação revela, assim, uma disputa que vai além da eleição de 2026. Enquanto Flávio tenta consolidar seu nome como herdeiro eleitoral do bolsonarismo, outras lideranças da direita já começam a projetar seus próprios caminhos para o Planalto.

A proposta levanta uma questão que ultrapassa os interesses de qualquer candidatura: o fim da reeleição seria uma medida capaz de melhorar o sistema político brasileiro ou estaria sendo utilizado, neste momento, como instrumento de negociação eleitoral dentro da direita?

De um lado, os defensores da mudança argumentam que o fim da reeleição poderia reduzir o uso da máquina pública em campanhas e estimular a alternância de poder. De outro, críticos podem questionar se uma reforma dessa magnitude deve nascer de um acordo circunstancial entre grupos políticos interessados nas eleições seguintes.

No fim, permanece uma pergunta: o Brasil ganharia com o fim da reeleição independentemente de quem esteja no poder ou a proposta só ganhou força porque, neste momento, atende aos interesses eleitorais de determinados candidatos?

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