‘Sem floresta não tem água nem agricultura’, diz Marina Silva ao fazer balanço de queda histórica no desmatamento
Em reflexão intimista ao Canal Estado SP, ministra do Meio Ambiente e candidata ao Senado relembra origens no Acre e defende a sustentabilidade como motor do agronegócio paulista.
Publicado em 17 de agosto de 2026, 17:07 — Em São Paulo

"Valeu a pena a luta porque ela começou lá com o movimento dos seringueiros, dos povos indígenas, quando sequer tínhamos uma legislação que ajudasse a proteger os biomas brasileiros." Foi com essa declaração que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, respondeu à jornalista Juliana Salto, no Canal Estado SP, se as décadas de militância e enfrentamento político em defesa da Amazônia surtiram o efeito esperado.
Marina apresentou números robustos de sua atual gestão para consolidar o argumento de que a preservação ambiental é, fundamentalmente, uma salvaguarda para a economia nacional. Sob sua liderança, o país registrou uma redução de 45% no desmatamento geral, com quedas de 50% na Amazônia, 32% no Cerrado e 61% na Mata Atlântica. "Se não tivesse esses resultados, hoje as enchentes estariam muito piores, as secas estariam muito piores, e as ondas de calor e os incêndios estariam muito piores", alertou.
Desmistificando a histórica polarização entre o setor produtivo e a agenda climática, Marina destacou que a preservação dos biomas é o que garante a viabilidade do agronegócio, setor responsável por 50% da balança comercial brasileira. "Sem floresta a gente não tem água, sem água a gente não tem agricultura, a gente não tem indústria, a gente sequer tem condição de ter vida. Nós somos uma potência agrícola porque somos uma potência hídrica, e só somos uma potência hídrica porque somos uma potência florestal", explicou.
Segundo a ministra, apenas cerca de 1% dos produtores mantém uma visão atrasada de que a produção e o meio ambiente não podem caminhar juntos. Ela demonstrou que, mesmo com a queda acentuada no desmatamento, o PIB do agronegócio foi o que mais cresceu no início de 2026.
Além disso, a agenda ambiental rigorosa viabilizou a abertura de mais de 500 novos mercados internacionais para a carne, grãos e frango brasileiros, superando o isolamento externo herdado do governo anterior. "Na reunião do G7 na Itália, em 2024, a pessoa convidada para ir defender o etanol brasileiro fui eu, porque havia uma desconfiança em função do governo anterior, onde o desmatamento tinha crescido algo em torno de 48%", relembrou.
Como candidata ao Senado por São Paulo, Marina pontuou que sua atuação legislativa será focada em viabilizar recursos para que os produtores paulistas recuperem áreas degradadas sem precisar desmatar novas fronteiras. Ela citou o salto financeiro do Fundo Clima durante sua gestão no ministério, que passou de R$400 milhões para R$27 bilhões, além do programa EcoInvest.
"Uma parte desses recursos é para restaurar área degradada, aquela terra que ficou fraca, que não está produzindo mais, para disponibilizar para os agricultores produzirem mais, gerar emprego e gerar divisas para o nosso país", concluiu a ministra, reafirmando que o futuro do desenvolvimento econômico de São Paulo e do Brasil depende, obrigatoriamente, de uma forte aliança com a sustentabilidade.



