PSDB encolhe em São Paulo e elege apenas dois nomes em 2026, partido terá uma cadeira na ALESP
Legenda, que chegou a eleger 23 deputados estaduais em 2006 e 2010, terá apenas Ana Carolina Serra na Assembleia e Paulo Serra na Câmara dos Deputados a partir de 2027.
Publicado em 7 de outubro de 2026, 14:01 — Em São Paulo

O PSDB, que durante décadas esteve entre as principais forças políticas de São Paulo, chega ao fim das eleições de 2026 com uma das menores representações de sua história no Estado. A legenda elegeu apenas dois nomes: um para a Câmara dos Deputados e outro para a Assembleia Legislativa de São Paulo.
O resultado consolida uma trajetória de perda de espaço que ganhou força a partir de 2018. Na Assembleia, o partido passou de 23 deputados eleitos em 2010 para apenas uma representante em 2026.
A única tucana eleita para a ALESP neste ano foi Ana Carolina Serra, com 132.881 votos. Ela foi reeleita e seguirá para o segundo mandato como deputada estadual.
Na Câmara dos Deputados, o único eleito pelo PSDB em São Paulo foi Paulo Serra, ex-prefeito de Santo André e presidente do diretório estadual da legenda. Ele é marido de Ana Carolina.
O cenário atual contrasta com o período em que o PSDB mantinha uma das maiores bancadas da Assembleia Legislativa. Em 1998, foram 21 deputados eleitos. O número chegou a 23 em 2006 e novamente em 2010. Em 2014, foram 22 cadeiras.
A partir de 2018, porém, a representação tucana começou a cair de forma mais acentuada.
De 23 deputados a apenas uma cadeira
A sequência eleitoral mostra a dimensão da mudança na presença do partido na ALESP:
- 1998: 21 deputados
- 2002: 18 deputados
- 2006: 23 deputados
- 2010: 23 deputados
- 2014: 22 deputados
- 2018: 8 deputados
- 2022: 9 deputados
- 2026: 1 deputada
O cenário atual representa uma queda de 22 cadeiras em relação ao auge de 2006 e 2010.
Nas eleições de 2026, 76 candidatos disputaram vagas pela legenda para as 94 cadeiras disponíveis na Assembleia. Além de Ana Carolina Serra, a segunda candidata mais votada do partido foi Dra. Damaris Moura, que recebeu 47.079 votos, mas não alcançou uma cadeira.
O PSDB também recebeu 22.242 votos destinados diretamente à legenda. Esses votos, somados aos votos obtidos pelos candidatos tucanos, entram no cálculo utilizado para a distribuição das cadeiras.
Migração de políticos ajuda a explicar redução
A perda de espaço do PSDB não ocorreu apenas pela dificuldade de eleger novos candidatos. Parte dos nomes que ajudaram a formar a bancada tucana em eleições anteriores deixou o partido e passou a disputar eleições por outras legendas.
Dos nove deputados estaduais eleitos pelo PSDB em 2022, Bruna Furlan foi reeleita neste ano pelo Republicanos. Carla Morando, Rogério Nogueira, Analice Fernandes, Barros Munhoz e Mauro Bragato também conquistaram novos mandatos, mas pelo PSD.
Carlão Pignatari e Maria Lucia Amary igualmente deixaram o PSDB e migraram para o PSD. Pignatari não disputou a reeleição, enquanto Maria Lucia tentou um novo mandato, mas não conseguiu se eleger.
Vinicius Camarinha foi o único dos nove deputados eleitos pelo PSDB em 2022 a permanecer na legenda. Ele, porém, assumiu a Prefeitura de Marília em 2024.
Na Câmara dos Deputados, o movimento foi semelhante. Paulo Alexandre Barbosa e Carlos Sampaio conseguiram se reeleger, mas já pelo PSD, depois de deixarem o PSDB. Vitor Lippi também migrou para o PSD, mas não conseguiu conquistar um novo mandato.
Com isso, Paulo Serra ficou como o único deputado federal eleito pelo PSDB em São Paulo.
Um partido que já dominou a política paulista
A redução atual ganha ainda mais dimensão quando comparada ao histórico do partido.
O PSDB foi uma das principais forças políticas de São Paulo durante décadas, com nomes como Mário Covas, Geraldo Alckmin, José Serra, João Doria, Bruno Covas e Rodrigo Garcia ocupando posições de destaque no Estado.
Na Assembleia Legislativa, o partido manteve uma presença superior a 20 deputados em boa parte do período entre 1998 e 2014. Em 2006 e 2010, chegou a eleger 23 parlamentares.
Em 1998, dez anos após sua fundação, o PSDB vivia um dos momentos de maior força política. Naquele ano, o partido garantiu a reeleição do presidente da República em primeiro turno, venceu o governo de sete estados e conquistou a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados, com 99 parlamentares.
O cenário encontrado pelo partido em 2026 é diferente.
Apenas uma deputada estadual e um deputado federal representarão o PSDB por São Paulo. Na Alesp, a nova legislatura começa em 1º de fevereiro de 2027, com a legenda distante da força que já teve na política paulista.
O resultado das urnas consolida, portanto, uma mudança profunda na presença do PSDB no Estado: de uma legenda que chegou a eleger mais de 20 deputados estaduais em uma única eleição para uma sigla que, em 2026, conquistou apenas uma cadeira na Assembleia.



