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Mulheres viram foco da disputa entre Tarcísio e Haddad em SP

Tarcísio e Haddad apostam em segurança representatividade e poder de mobilização.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 19 de agosto de 2026, 10:19 — Em São Paulo

3 min de leitura
Mulheres viram foco da disputa entre Tarcísio e Haddad em SP
Mulheres viram foco da disputa entre Tarcísio e Haddad em SP

A corrida pelo Palácio dos Bandeirantes começou a ganhar um recorte estratégico: a busca pelo voto feminino. Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), apontados como os principais nomes na disputa pelo governo de São Paulo, escolheram mulheres como protagonistas de seus primeiros movimentos de campanha.

No domingo (16/8), Tarcísio participou de um encontro com eleitoras no Clube de Sargentos, em Osasco, na região metropolitana. Um dia depois, na segunda-feira (17/8), foi a vez de Haddad ocupar as ruas da região central da capital paulista em uma caminhada acompanhada por apoiadoras.

A atenção ao segmento tem uma razão eleitoral evidente. As mulheres representam 53,25% do eleitorado paulista, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São pouco mais de 18,1 milhões de eleitoras aptas a votar nas eleições de 2026, o que transforma esse público em um dos principais focos da disputa.

A pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho mostra um cenário de proximidade entre os dois nomes entre as eleitoras. Tarcísio aparece com 40% das intenções de voto, enquanto Haddad registra 36%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os resultados indicam uma disputa acirrada nesse segmento.

Na caminhada pela capital, Haddad procurou reforçar a presença feminina em seu projeto eleitoral. Ao lado da esposa, a pesquisadora Ana Estela Haddad, o petista esteve acompanhado das candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). As duas são apresentadas como os principais nomes femininos em chapas competitivas para cargos majoritários no estado.

Ao mencionar Marina e Simone, Haddad afirmou que são mulheres que precisam “nos representar no Senado Federal”, associando a presença feminina nas instituições à estratégia de sua campanha.

Além de ampliar o diálogo direto com as eleitoras, o ex-ministro da Fazenda também vem apostando na segurança pública como uma das frentes para questionar a administração de Tarcísio. O foco está especialmente nos casos de violência contra as mulheres e nos números de feminicídio registrados no estado.

Dados da Secretaria da Segurança Pública apontam que São Paulo registrou 142 feminicídios nos primeiros seis meses deste ano. O número representa aumento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 129 casos.

A estratégia revela que a disputa pelo voto feminino não deve se limitar a propostas específicas para as mulheres. Segurança, representatividade e avaliação do governo também tendem a ocupar espaço no debate eleitoral, à medida que os candidatos buscam conquistar um eleitorado que representa mais da metade dos votos do estado.

Mais do que uma estatística eleitoral, os números colocam no centro da campanha questões que afetam diretamente a vida de milhões de paulistas. A violência contra a mulher, a presença feminina na política e as políticas públicas voltadas à proteção e à autonomia das mulheres deverão ser temas importantes nos próximos meses.

E fica uma questão: o que deve pesar mais na decisão das eleitoras em 2026; a avaliação da atual gestão, as propostas apresentadas pelos candidatos ou a capacidade de transformar problemas como a violência contra a mulher em políticas públicas efetivas? A resposta, naturalmente, estará nas urnas, mas o debate sobre essas prioridades começa muito antes delas.

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