Motorista de aplicativo de Sorocaba é convocada para representar o Brasil no Mundial de Patinação
Nayara Cristina da Silva, de 31 anos, concilia treinos de alto rendimento com trabalho, produção de alimentos e estudos.
Publicado em 8 de setembro de 2026, 11:41 — Em Sorocaba

Uma rotina dividida entre corridas como motorista de aplicativo, produção e venda de doces e cuscuz recheado, aulas de gastronomia e treinos esportivos levou a sorocabana Nayara Cristina da Silva, de 31 anos, a uma conquista inédita. Após 15 anos de dedicação ao Inline Downhill, a atleta foi convocada para representar o Brasil no World Skate Games, que será realizado em Assunção, no Paraguai.
Nascida em São Paulo e moradora de Sorocaba, Nayara começou a andar de patins aos nove anos, usando o equipamento do irmão. A relação com o esporte ganhou força aos 16 anos, quando passou a praticar nas ladeiras da região de Interlagos, na capital paulista.
O Inline Downhill consiste em descer ladeiras em alta velocidade sobre patins. A modalidade exige equilíbrio, controle e precisão para avaliar riscos e executar cada curva durante o percurso.
Apesar de treinar há cerca de 15 anos, Nayara só participou de uma competição oficial pela primeira vez recentemente. A estreia ocorreu na competição “Na Ladeira”, realizada em Limeira nos dias 22 e 23 de agosto. Ela conquistou o pódio na categoria Inline Downhill e, posteriormente, recebeu o convite da Confederação Skate Brasil para integrar a seleção brasileira.
“Fiquei extremamente feliz e honrada com a convocação. Foram muitos anos me dedicando com os meus amigos atletas”, afirma.
Treinamento em vias públicas
A preparação para o campeonato internacional é um dos desafios enfrentados pela atleta. Segundo Nayara, o Brasil não possui pistas fechadas específicas para a prática do Inline Downhill, fazendo com que os treinamentos precisem ser realizados em vias públicas.
Os exercícios acontecem principalmente durante a madrugada, período em que há menor circulação de veículos. Em algumas ocasiões, a atleta também treina em parceria com grupos de skate downhill.
Para conseguir manter a preparação esportiva sem comprometer a renda familiar, Nayara separa dois dias da semana para os treinos. O restante do tempo é dedicado às atividades profissionais.
Além de trabalhar como motorista de aplicativo, ela produz e vende doces e cuscuz recheado e frequenta um curso de gastronomia. A combinação das diferentes atividades permite que a atleta mantenha a própria rotina financeira enquanto continua investindo no esporte.
Viagem ao Paraguai pode custar R$10 mil
A participação no World Skate Games, porém, depende também de uma questão financeira. Nayara estima que precisará de cerca de R$10 mil para custear a viagem ao Paraguai.
O valor inclui transporte, hospedagem, seguro de vida, alimentação e equipamentos de proteção de alto rendimento, como macacão e luvas específicas para o Inline Downhill.
Com o incentivo de amigos, a atleta criou uma campanha de arrecadação virtual para tentar alcançar o montante necessário. Alguns apoios já foram obtidos de forma pontual, como o empréstimo do traje especial e das luvas que serão utilizadas na competição.
Até o momento, no entanto, Nayara não conta com patrocínio ou apoio financeiro fixo de empresas. Ela relata ter procurado possíveis patrocinadores, mas não conseguiu concretizar parcerias. Entre as dificuldades encontradas está o número ainda pequeno de seguidores nas redes sociais.
Sem uma fonte fixa de recursos, a arrecadação se tornou fundamental para que a atleta consiga viajar ao Paraguai. Caso o dinheiro não seja obtido a tempo, Nayara afirma que não possui um plano alternativo e terá de adiar a oportunidade de disputar o campeonato mundial e representar o Brasil na competição.




