Moisés Selerges defende bancada dos trabalhadores, fim da escala 6x1 e reindustrialização em entrevista ao Canal Estado SP
Ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC apresentou propostas para eventual mandato na Câmara dos Deputados, com foco em direitos trabalhistas, economia e política industrial.
Publicado em 31 de julho de 2026, 09:43 — Em São Paulo

O ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e pré-candidato a deputado federal pelo PT, Moisés Selerges, apresentou as principais bandeiras que pretende defender caso seja eleito para a Câmara dos Deputados. Em entrevista ao canal Estado SP, conduzida pelos jornalistas Raphael Santana e Juliana Salto, Selerges abordou temas como a criação de uma Bancada dos Trabalhadores no Congresso Nacional, a redução da jornada de trabalho, a regulamentação do trabalho por aplicativos, política industrial e propostas de reforma tributária.
Logo no início da entrevista, Selerges afirmou que uma das prioridades de sua atuação em Brasília será a criação de uma frente parlamentar voltada exclusivamente às pautas dos trabalhadores. Segundo ele, o Congresso Nacional possui hoje forte representação de setores empresariais, do agronegócio e do sistema financeiro, enquanto a representação direta dos trabalhadores é reduzida.
De acordo com o pré-candidato, a proposta é reunir parlamentares de diferentes partidos comprometidos com a defesa de direitos trabalhistas e da valorização do emprego formal. Para a criação da frente parlamentar, seriam necessárias 191 assinaturas de deputados.
Outro tema central da entrevista foi a defesa do fim da escala 6x1 e da redução da jornada semanal para 40 horas.
Selerges afirmou que o avanço tecnológico e o aumento da produtividade permitem discutir uma reorganização das jornadas sem prejuízo para a economia. Na avaliação dele, falta vontade política para que projetos relacionados ao tema avancem no Congresso Nacional.
O ex-dirigente sindical argumentou que diversos países já caminham para jornadas menores e que o Brasil precisa acompanhar essa transformação, conciliando competitividade econômica e qualidade de vida dos trabalhadores.
Durante a conversa, Selerges também fez críticas ao atual modelo de distribuição das emendas parlamentares.
Segundo ele, o crescimento desse mecanismo reduziu a capacidade de planejamento do Poder Executivo e alterou a dinâmica da relação entre o Congresso e a população. Na avaliação do petista, o fortalecimento das emendas diminui a pressão popular sobre os parlamentares e dificulta a definição de prioridades nacionais.
A regulamentação do trabalho em plataformas digitais também esteve entre os assuntos discutidos.
Selerges afirmou que motoristas, entregadores e demais trabalhadores de aplicativos precisam contar com garantias mínimas de proteção social, especialmente em relação à Previdência Social e aos direitos trabalhistas.
Segundo ele, o crescimento desse modelo de trabalho exige atualização da legislação para evitar a precarização das relações de trabalho.
Na área econômica, o pré-candidato defendeu a isenção do Imposto de Renda sobre a Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Como forma de compensar a perda de arrecadação, sugeriu ampliar a tributação sobre empresas de apostas esportivas e revisar incentivos fiscais concedidos a determinados setores econômicos.
Outro eixo da entrevista foi a defesa de uma política nacional de reindustrialização.
Selerges afirmou que o Brasil precisa aumentar a agregação de valor aos produtos exportados e fortalecer a indústria nacional como estratégia de geração de empregos e desenvolvimento econômico.
Dentro dessa proposta, também sugeriu a criação de uma Secretaria de Assuntos Estratégicos voltada ao planejamento de longo prazo para o país.
Ao longo de toda a entrevista, Moisés Selerges reforçou que pretende levar ao Congresso pautas ligadas ao mundo do trabalho, defendendo maior representação dos trabalhadores nas decisões legislativas e a atualização da legislação diante das mudanças econômicas e tecnológicas.



