Meu SUS Digital oferece apoio em saúde mental para jovens
Saúde mental ganha espaço no aplicativo do SUS.
Publicado em 4 de agosto de 2026, 14:03 — Em São Paulo

O acesso ao cuidado em saúde mental para adolescentes e jovens brasileiros acaba de ganhar um novo canal. A plataforma Pode Falar, voltada ao acolhimento, à escuta qualificada e à orientação para pessoas entre 13 e 24 anos, passa a integrar o aplicativo Meu SUS Digital, ampliando o alcance de um serviço criado para oferecer apoio emocional de forma gratuita, segura e acessível.
A expectativa é que a novidade multiplique o número de atendimentos realizados mensalmente. Hoje, a plataforma registra cerca de 1,1 mil acolhimentos por mês. Com a integração ao aplicativo utilizado pelos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), a projeção é chegar a aproximadamente 11 mil atendimentos mensais, ampliando significativamente o acesso ao suporte psicológico em todo o país.
A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com o objetivo de fortalecer a rede de atenção à saúde mental dentro do SUS e facilitar o primeiro contato de jovens que enfrentam sofrimento emocional, mas ainda não buscaram ajuda presencial.
O serviço foi desenvolvido para oferecer um ambiente de acolhimento livre de julgamentos. O atendimento pode ser realizado de forma anônima, caso o usuário prefira, e está disponível de segunda-feira a sábado, das 8h às 22h, pelo horário de Brasília. Para acessar a plataforma, basta entrar no aplicativo Meu SUS Digital e selecionar a opção "Pode Falar" na área de miniaplicativos.
O primeiro contato acontece por meio de um chatbot, que realiza uma escuta inicial e apresenta conteúdos educativos sobre saúde mental em linguagem simples e acessível. A ferramenta busca ajudar o usuário a identificar sentimentos, compreender emoções e reconhecer situações que possam exigir maior atenção. Sempre que houver interesse do jovem ou necessidade identificada durante a conversa, o atendimento é transferido para profissionais capacitados, responsáveis por oferecer escuta qualificada e orientação adequada.
Mais do que incorporar um novo recurso ao aplicativo do SUS, a iniciativa representa um avanço na forma como a saúde pública dialoga com uma geração acostumada a buscar respostas e apoio no ambiente digital. Ao levar o acolhimento para a palma da mão, o serviço reduz barreiras como o medo, o preconceito e a dificuldade de acesso, fatores que ainda afastam muitos jovens da busca por ajuda.
O desafio, porém, vai além da tecnologia. Embora plataformas digitais ampliem o acesso e aproximem o cuidado de quem mais precisa, elas não substituem a necessidade de investimentos contínuos na rede de saúde mental e de uma sociedade que trate o sofrimento psíquico com menos estigma e mais empatia. A expansão do Pode Falar convida a uma reflexão coletiva: facilitar o acesso é um passo importante, mas promover uma cultura em que pedir ajuda seja visto como um ato de coragem e não de fraqueza, continua sendo uma responsabilidade compartilhada entre famílias, escolas, profissionais de saúde e o poder público.
Redatora: Amanda Mendes



