Lula critica atuação da imprensa e defende relação política com Carlos Lupi
Presidente questiona postura de jornalistas e afirma manter diálogo e respeito pelo ex-ministro.
Publicado em 28 de agosto de 2026, 11:19 — Em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu nesta quinta-feira (27) às críticas sobre sua recente aproximação política com o ex-ministro Carlos Lupi, que comandava o Ministério da Previdência Social durante o período em que vieram à tona denúncias de desvios envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Questionado sobre a presença ao lado de Lupi em um palanque e sobre os elogios feitos recentemente ao ex-ministro, Lula afirmou que não vê contradição em manter uma relação política com ele. Segundo o presidente, Lupi não foi condenado e, portanto, deve ser tratado como um cidadão livre enquanto as investigações estiverem em andamento.
Ele não tá condenado. Ele é um cidadão livre, afirmou Lula.
A declaração ocorreu depois de o presidente ser lembrado de que, anteriormente, havia cobrado explicações de Lupi sobre as suspeitas relacionadas ao INSS. O então ministro acabou deixando o governo em meio à repercussão do caso.
Lula, entretanto, fez uma distinção entre a relação política que mantém com o ex-ministro e eventual responsabilidade administrativa ou criminal. Para o presidente, uma acusação formal e uma condenação mudariam o cenário.</b>
Vamos aguardar a investigação, declarou.
Críticas à imprensa</b></p>
Na mesma entrevista, Lula também direcionou críticas à imprensa brasileira ao comentar a trajetória do senador Sergio Moro (PL-PR) e do ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo-PR), personagens centrais da Operação Lava Jato.
Segundo o presidente, parte da imprensa teria contribuído para construir uma imagem política dos dois que, na avaliação dele, não correspondia à realidade. Lula afirmou que os veículos de comunicação “produziram um monstro mentiroso” chamado Sergio Moro e Deltan Dallagnol.
</i></b>A declaração retoma uma das principais críticas feitas pelo presidente desde os anos em que esteve no centro das investigações da Lava Jato: a de que a cobertura jornalística e a atuação de integrantes da operação teriam influenciado a percepção pública sobre seu governo, seu partido e sua própria trajetória política.
As declarações de Lula colocam novamente em discussão dois temas que costumam se cruzar no ambiente político brasileiro: os limites da responsabilidade de agentes públicos e o papel da imprensa na formação da opinião pública.</b>
O caso também levanta uma questão que vai além das disputas entre governo e oposição: até que ponto uma pessoa deve ser afastada politicamente diante de suspeitas ainda em investigação, e em que momento a responsabilização passa a ser necessária? Ao mesmo tempo, a crítica à imprensa exige outro debate: qual deve ser o limite entre o jornalismo de interesse público, a exposição de autoridades e a construção de narrativas capazes de influenciar a percepção da sociedade?</u>
Investigações precisam seguir seu curso, acusações devem ser comprovadas e condenações não podem ser antecipadas. Da mesma forma, o jornalismo precisa exercer seu papel de fiscalização sem transformar suspeitas em sentenças definitivas. Em uma democracia, talvez o maior desafio esteja justamente em preservar esses limites: nem a proximidade política pode substituir a responsabilização quando ela for comprovada, nem a pressão pública pode substituir o devido processo de investigação e julgamento.



