Investigação de Lulinha acende alerta na campanha de Lula
Petistas temem desgaste eleitoral após decisão do STF.
Publicado em 31 de julho de 2026, 09:35 — Em São Paulo

A poucos meses do início oficial da campanha eleitoral, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) introduziu um novo elemento no cenário político que envolve o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ministro André Mendonça autorizou, nesta quinta-feira (30), a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, por suspeitas de corrupção e tráfico de influência em negócios ligados à cannabis medicinal e a possíveis relações com o Ministério da Saúde.
Embora a investigação tenha como alvo o filho do presidente, o desdobramento já mobiliza integrantes do PT e da coordenação da campanha à reeleição. Nos bastidores, o entendimento é de que a repercussão do caso poderá influenciar o ambiente político justamente em um período de maior exposição pública dos candidatos.
A avaliação de dirigentes petistas, no entanto, é de que a estratégia será dissociar a investigação da atuação do governo federal. Integrantes da legenda lembram que outras acusações envolvendo Lulinha não resultaram em condenações e defendem que o novo inquérito siga seu curso dentro das garantias legais.
O posicionamento adotado pela campanha acompanha o discurso do próprio presidente. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Lula afirmou que não pretende interferir no trabalho das autoridades e descartou qualquer possibilidade de utilizar o cargo para beneficiar o filho.
"Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa, como eu fui. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas."
Na mesma entrevista, o presidente reforçou que a investigação deve transcorrer de forma independente e declarou que, caso haja responsabilização, o filho responderá perante a Justiça como qualquer cidadão.
Com a autorização do STF, caberá agora à Polícia Federal reunir elementos para esclarecer se houve prática de irregularidades. O avanço ou não das apurações poderá definir os próximos capítulos do caso, tanto no âmbito jurídico quanto no político.
Em um ambiente eleitoral marcado pela intensa disputa de narrativas, episódios como esse costumam ultrapassar os limites do processo judicial e alcançar o debate público. Resta saber se o eleitorado distinguirá a responsabilização individual da avaliação sobre um governo ou se investigações envolvendo familiares de agentes públicos continuarão influenciando, de forma decisiva, a percepção da sociedade sobre seus representantes e as instituições.
Redatora: Amanda Mendes



