Guardas municipais indiciados por tortura em Birigui
Agentes teriam agredido mulher para revelar paradeiro de namorado
Publicado em 9 de julho de 2026, 14:16 — Em Rio Preto

Dois guardas civis municipais de Birigui, no interior paulista, foram indiciados por tortura após agredirem, ameaçarem de morte e colocarem uma mulher de 32 anos dentro de uma cova em um cemitério durante uma abordagem realizada em março de 2025. O objetivo, segundo a investigação, era forçá-la a revelar o paradeiro do namorado, suspeito de participação no furto de uma motocicleta.
O caso teve início no dia 18 de março de 2025, quando a mulher e o namorado furtaram uma motocicleta no bairro Monte Líbano, em Birigui. Três dias depois, em 21 de março, os guardas municipais localizaram a mulher em uma casa abandonada na cidade. No local, ela confirmou ter fugido após o crime e revelou que o namorado havia vendido o veículo em Araçatuba.
Segundo a investigação, após a confissão, os agentes passaram a agredi-la com socos e chutes no peito e na região das costelas. A mulher relatou em depoimento que foi levada a um cemitério, colocada dentro de uma cova e teve uma arma apontada para a cabeça, com ameaças de morte caso não informasse o paradeiro do companheiro e da motocicleta.
Ao ser conduzida à delegacia de Birigui pelos próprios guardas, a vítima apresentava intenso estado de pânico, desmaios recorrentes e sinais de hemorragia interna. O delegado responsável pelo plantão determinou atendimento médico imediato e instaurou investigação específica para apurar a suspeita de tortura. A mulher foi encaminhada ao pronto-socorro e recebeu alta após medicação.
O inquérito policial foi concluído pelo delegado Eduardo de Paula, que indiciou os dois agentes pelo crime de tortura e encaminhou o relatório final ao Ministério Público. O documento aponta que a conduta dos guardas extrapolou qualquer procedimento legal de abordagem, configurando crime de natureza grave praticado por agentes de segurança pública no exercício da função.



