Eleições 2026 renovam quase 40% da ALESP e novos deputados têm perfis diferentes
Vereadores são maioria entre os estreantes de esquerda e direita, enquanto ex-prefeitos ganham destaque entre os partidos de centro.
Publicado em 8 de outubro de 2026, 09:45 — Em São Paulo

A Assembleia Legislativa de São Paulo terá uma nova configuração a partir da próxima legislatura. O resultado das eleições deste domingo, dia 04, promoveu uma renovação de quase 40% na maior Assembleia Legislativa do país, com a chegada de novos nomes ao Palácio Anchieta.
Na comparação com a relação de eleitos de quatro anos atrás, 39 parlamentares são novidades na composição da ALESP. Desse grupo, 34 chegam ao Legislativo paulista pela primeira vez, levando para a Casa diferentes trajetórias construídas na política municipal.
Mais do que uma mudança numérica, o resultado das urnas também revela diferenças no perfil dos novos deputados de acordo com o campo político.
Entre os nomes ligados à esquerda e à direita, a experiência como vereador aparece como um dos principais caminhos para chegar à Assembleia. Já entre os partidos de centro, a trajetória no Executivo municipal ganha destaque, com a eleição de políticos que já comandaram prefeituras.
Vereadores avançam para a Assembleia
Um dos principais exemplos dessa mudança é Eduarda Campopiano (PL), vereadora de Praia Grande que chega à Alesp como a deputada estadual mais votada do país.
A eleição de Campopiano está ligada a uma atuação de perfil ideológico de extrema-direita e à associação política com Lucas Pavanato (PL), vereador de São Paulo que também se destacou nas urnas e bateu recorde de votos para deputado federal no estado.
A influência de Pavanato também aparece na eleição de outros dois novos deputados estaduais: Thomaz Henrique (PL), vereador de São José dos Campos, e Felipe Sertanejo (PL), ex-atleta do UFC que conquistou seu primeiro mandato eletivo.
O movimento de vereadores que avançam para o Legislativo estadual também é observado entre os partidos de esquerda.
São seis os nomes com atuação anterior em câmaras municipais que chegam à Alesp: Duda Hidalgo (PT), de Ribeirão Preto; Mariana Conti (PSol), de Campinas; Debora Camilo (PSol), de Santos; Marina Bragante (PSB), de São Paulo; João Paulo Rillo (PT), de São José do Rio Preto; e Keit Lima (PSol), de São Paulo.
A nova composição ainda colocará lado a lado antigos adversários da política municipal.
É o caso de Duda Hidalgo e Isaac Antunes (PL), que atuavam na política de Ribeirão Preto. Antunes também foi eleito deputado estadual, com pouco mais de 61 mil votos, conquistando uma das últimas vagas da Alesp e sendo beneficiado principalmente pela votação de Campopiano.
Também chegam à Assembleia Delegado Mesquita (PP), vereador de Guarulhos apoiado pelo Delegado Palumbo, e Sargento Castro (PP), apoiado pelo Sargento Nantes.
“A nova ALESP terá, portanto, uma presença significativa de políticos que construíram suas trajetórias inicialmente nos legislativos municipais e agora avançam para a política estadual.
”
Ex-prefeitos são destaque entre os partidos de centro
Se a experiência como vereador aparece com força entre os novos deputados dos campos mais ideológicos, os eleitos por partidos de centro apresentam uma trajetória diferente.
Nesse grupo, os ex-prefeitos ocupam espaço de destaque entre os novos nomes da ALESP. São políticos que já tiveram experiência à frente de administrações municipais e agora passam a atuar no Legislativo estadual.
Entre eles estão Rogério Lins (Podemos), ex-prefeito de Osasco; Danilo Joan (PP), ex-prefeito de Cajamar; Pardini (PSD), ex-prefeito de Botucatu; e Renata Sene (Republicanos), ex-prefeita de Francisco Morato.
A diferença de trajetórias ajuda a desenhar o perfil da nova Assembleia: enquanto parte dos estreantes chega ao Palácio Anchieta depois de uma experiência no Legislativo municipal, outra parcela desembarca na Casa após ter passado pelo Executivo das cidades.
O que muda na ALESP
A renovação provocada pelas eleições de 2026 não se resume à troca de nomes. A próxima composição da Assembleia Legislativa de São Paulo será formada por novas lideranças com experiências políticas distintas, desde vereadores que ganharam projeção em seus municípios até ex-prefeitos que agora assumem um mandato estadual.
Com 39 novidades em relação à composição eleita quatro anos atrás e 34 estreantes na Casa, a Alesp inicia uma nova etapa marcada pela chegada de diferentes perfis e pela disputa de espaço entre grupos políticos com trajetórias bastante distintas.
O resultado das urnas, portanto, não apenas renovou parte do Parlamento paulista, mas também mudou o perfil de quem chega à Assembleia Legislativa de São Paulo para os próximos quatro anos.




