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De volta ao centro do debate, José Dirceu busca aproximação com a juventude petista

Entre tradição e renovação, ex-ministro amplia presença política.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 10 de agosto de 2026, 10:31 — Em São Paulo

3 min de leitura
De volta ao centro do debate, José Dirceu busca aproximação com a juventude petista
De volta ao centro do debate, José Dirceu busca aproximação com a juventude petista

A tentativa de reconectar uma geração mais jovem à política foi o foco de um encontro que reuniu, neste sábado (8/8), o ex-ministro José Dirceu (PT) e representantes de movimentos estudantis e da juventude de esquerda. O evento ocorre na sede do diretório estadual do PT, na zona oeste de São Paulo, a poucos dias do início oficial da campanha.

Dirceu estará ao lado de militantes da Juventude do PT, do Levante Popular da Juventude, da União da Juventude Socialista (UJS) e da União Nacional dos Estudantes (UNE). O encontro faz parte de um movimento do ex-ministro para estreitar o diálogo com eleitores que eram crianças ou sequer haviam nascido quando ele disputou sua última eleição.

Eleito deputado federal em 2022, Dirceu tenta agora retomar espaço no debate político e, sobretudo, construir uma ponte com uma parcela do eleitorado que cresceu em um ambiente marcado pelas redes sociais, pela polarização e por novas formas de mobilização política.

A estratégia não começou agora. Em março, durante um encontro de jovens parlamentares petistas, em Brasília, o ex-ministro da Casa Civil de Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a juventude de esquerda adote uma comunicação mais ativa no enfrentamento aos adversários políticos.

“O Brasil precisa de uma revolução política e social. Vamos pregar, não vamos ter medo dessa palavra. Porque a direita não tem medo”, afirmou na ocasião.

A presença digital também passou a ocupar espaço importante nessa tentativa de aproximação. Com cerca de 238 mil seguidores no Instagram, Dirceu tem utilizado a plataforma para divulgar conteúdos voltados ao público jovem. Na última semana, publicou um vídeo com depoimentos de jovens petistas que manifestaram apoio ao ex-ministro e destacaram a importância de preservar a memória das lutas políticas do partido.

Entre as estratégias adotadas está a criação da “Do Zé TV”, nome usado para uma série de vídeos publicados nas redes sociais e que faz referência ao formato de canais populares entre o público mais jovem no YouTube.

A tentativa de reconstruir essa conexão ocorre, porém, em meio a um momento pessoal delicado. Dirceu foi diagnosticado recentemente com um linfoma e iniciou tratamento contra a doença. A partir de agora, deverá conciliar a agenda política e os compromissos eleitorais com as sessões de quimioterapia.

A aproximação de Dirceu com os jovens expõe uma questão que ultrapassa os interesses individuais de um candidato: como partidos e lideranças tradicionais podem dialogar com eleitores que não viveram os principais acontecimentos políticos que marcaram suas trajetórias?

Para uma geração acostumada a consumir informação em vídeos curtos, redes sociais e plataformas digitais, referências políticas do passado podem ter pouco significado se não forem apresentadas dentro dos conflitos e desafios do presente. Ao mesmo tempo, a tentativa de transformar a memória política em ferramenta de mobilização levanta outra discussão: até que ponto relembrar antigas bandeiras é suficiente para conquistar novos eleitores?

O encontro deste sábado, portanto, não representa apenas uma agenda de campanha. Ele também coloca em evidência o embate entre memória e renovação dentro da política brasileira.

A juventude é frequentemente apresentada como o futuro da política, mas permanece o desafio de permitir que ela também seja protagonista do presente. Mais do que conquistar seguidores ou reproduzir discursos históricos nas redes sociais, partidos e lideranças terão de demonstrar capacidade de ouvir as novas gerações e incorporar suas pautas.

No fim, a disputa por esse eleitorado talvez não seja apenas uma batalha pela atenção nas redes, mas pela capacidade de mostrar que a política ainda pode oferecer respostas concretas para quem está chegando agora ao debate público.

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