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Sorocabana vence Sul-Americano de jiu-jitsu

Jenifer Oliveira é campeã na categoria master.

Juliana Scudeler Salto
Juliana Scudeler Salto

Publicado em 8 de outubro de 2026, 11:28 — Em Sorocaba

5 min de leitura
Sorocabana vence Sul-Americano de jiu-jitsu
Sorocabana vence Sul-Americano de jiu-jitsuFoto: Redes sociais / Reprodução

Depois de nove anos longe das competições, a lutadora sorocabana Jenifer Oliveira voltou ao tatame com um objetivo que ia além de conquistar uma medalha. No dia 26 de setembro, em Barueri, ela venceu o Sul-Americano de Jiu-Jítsu na categoria master e voltou para casa com o título continental.

A conquista veio após Jenifer enfrentar duas adversárias da mesma categoria, ambas faixa-preta master. O resultado marcou uma nova etapa na trajetória de uma atleta que, nos últimos anos, passou a dividir o tatame com uma outra missão: ensinar outras mulheres a lutar e a se defender.

Aos 15 anos, Jenifer começou sua relação com o jiu-jítsu. A última competição antes do retorno havia sido em 2017, quando terminou como vice-campeã brasileira na categoria em que competia.

Depois disso, o foco mudou. A atleta passou a se dedicar cada vez mais ao trabalho como professora de jiu-jítsu e defesa pessoal. O nascimento dos filhos também fez com que as competições deixassem de ocupar espaço entre suas prioridades.

Em 2026, porém, o incentivo veio de onde ela menos poderia separar da própria trajetória a das alunas.

Voltar a competir significava recuperar uma rotina de preparação intensa depois de anos afastada. Para Jenifer, o simples fato de chegar ao campeonato pronta para a primeira luta já representava uma vitória.

“Sem dúvidas, a parte mais difícil foi voltar a ter todo o preparo e treino intensivo para a competição. Só de estar lá, pronta para a primeira luta, já foi uma vitória”, conta.

A experiência, segundo ela, também foi diferente da que tinha vivido anteriormente.

“Eu estava há anos sem competir, também parei de ter esse foco quando tive meus filhos, mas dessa vez eu fui e fui com a cabeça mais forte”, afirma.

Mais do que uma medalha

O título sul-americano poderia representar apenas mais uma conquista na carreira de uma atleta. Para Jenifer, no entanto, a medalha também carrega o significado do trabalho que ela desenvolve fora das competições.

Atualmente, ela dá aulas para mais de 50 mulheres em uma academia de luta na zona sul de Sorocaba. Também trabalha com uma turma infantil e desenvolve um projeto que oferece aulas gratuitas e experimentais de defesa pessoal para mulheres de cidades da região.

A proposta é apresentar o jiu-jítsu para mulheres que talvez nunca tenham tido contato com uma arte marcial e mostrar que os benefícios da prática não terminam quando a aula acaba.

“Tem muita ‘mina’ que foca na carreira e fica só na bolha dos atletas profissionais, mas o fato de eu também dar aula, não só em academia, mas também em alguns projetos sociais para apresentar o jiu-jítsu para mulheres, é o que me faz ver mais sentido nisso tudo”, explica.

Para ela, a principal mensagem está justamente na possibilidade de levar os ensinamentos da luta para situações que vão muito além do esporte.

“Meu foco é apresentar o esporte de uma forma confiante, mostrar que a nossa luta não é só no tatame”, ressalta.

Autoconfiança e proteção

A experiência adquirida ao longo dos anos também mudou a maneira como Jenifer enxerga o jiu-jítsu. Mais do que uma modalidade esportiva, ela considera que a prática pode ajudar no desenvolvimento da concentração, da autoestima, da autoconfiança e do senso de proteção.

Segundo a lutadora, o esporte ensina a permanecer concentrado mesmo diante de situações desconfortáveis e de pressão.

“O jiu-jítsu nos ensina a pensar no desconforto, e isso é muito valioso para levar para toda a vida”, afirma.

Para explicar o aprendizado, ela cita situações vivenciadas dentro do próprio tatame, em que é necessário manter a concentração mesmo quando o adversário está em posição de vantagem.

“Você tem que ter concentração em muitos momentos que você pode estar, por exemplo, com um pé do adversário no seu peito. Então isso é um aprendizado que é bom especialmente para a mulherada, que tem cada vez mais procurado se defender de diferentes formas”, completa.

Na avaliação da atleta, a prática também ganha importância diante do cenário de violência contra as mulheres.

“A luta fortalece a autoconfiança, a autoestima e o senso de proteção, que, infelizmente, pelo contexto das violências contra as mulheres, se faz cada vez mais necessário”, explica.

Do sonho de ser professora ao tatame

A transformação de Jenifer em professora de jiu-jítsu aconteceu de forma gradual. Ainda criança, ela chegou a imaginar que seguiria a profissão de professora, mas em uma escola tradicional.

A vida acabou levando o sonho para outro lugar.

“Quando eu era criança, até sonhei em ser professora, mas de escola mesmo”, conta, aos risos.

Com o passar dos anos, o jiu-jítsu deixou de ser apenas uma prática esportiva e se transformou em profissão.

As primeiras experiências como professora aconteceram com uma turma de crianças no Habiteto, em Sorocaba. Depois, Jenifer foi para São Paulo, onde trabalhou em uma academia e avançou na formação até chegar à faixa-preta.

Em 2020, ela seguiu para o Peru, onde permaneceu durante alguns meses trabalhando como professora de jiu-jítsu. A experiência, porém, foi interrompida pela pandemia, que provocou seu retorno ao Brasil.

Hoje, o tatame continua sendo o centro de sua rotina, mas com um significado diferente daquele dos primeiros anos.

Se antes a luta era principalmente uma busca individual por evolução e resultados, agora Jenifer também enxerga no esporte uma forma de abrir caminhos para outras mulheres.

E foi justamente ao voltar a competir, depois de nove anos, que ela conseguiu colocar essa trajetória no lugar mais alto do pódio.

A campeã sul-americana agora divide a medalha com as alunas que ajudaram a incentivá-la a voltar a lutar e mantém o trabalho de levar a defesa pessoal e o jiu-jítsu para cada vez mais mulheres.

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