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Senado aprova fim da escala 6x1 e prevê redução gradual da jornada de trabalho

PEC aprovada por 75 a 1 prevê 40 horas semanais, duas folgas e salário mantido.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 15 de outubro de 2026, 14:53 — Em São Paulo

2 min de leitura
Senado aprova fim da escala 6x1 e prevê redução gradual da jornada de trabalho
Senado aprova fim da escala 6x1 e prevê redução gradual da jornada de trabalho

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (14), em segundo turno, por 75 votos a 1, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1. Com a conclusão das duas etapas de votação, o texto segue para promulgação pelo Congresso Nacional.

A proposta estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial, e prevê a diminuição gradual da jornada máxima semanal, atualmente de 44 horas, para 40 horas. O novo limite passará a 42 horas após 60 dias da promulgação e chegará a 40 horas depois de mais um ano.

Uma tramitação marcada por debates e negociações

A discussão sobre o fim da escala 6x1 ganhou força nos últimos anos, impulsionada por reivindicações de trabalhadores e pelo debate público sobre saúde, qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e descanso.

A PEC 221/2019, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), começou a tramitar em 2019. Desde então, a proposta enfrentou um longo percurso legislativo, marcado pela necessidade de articulação política, análise técnica e discussão dos possíveis impactos econômicos da redução da jornada.

Na Câmara dos Deputados, o texto avançou até ser aprovado em dois turnos, em maio de 2026. No Senado, passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e seguiu para o plenário, onde precisou cumprir as etapas regimentais de discussão e votação.

A conclusão ocorreu após articulações para acelerar o calendário de votação. Um requerimento aprovado pelos senadores permitiu que os dois turnos fossem realizados no mesmo dia, antecipando o encerramento da análise. O placar expressivo demonstrou amplo apoio à proposta na Casa.

O que muda para os trabalhadores?

A mudança busca ampliar o período de descanso semanal e reduzir o tempo dedicado ao trabalho, preservando os salários. A expectativa é que a nova organização permita mais tempo para convivência familiar, lazer, estudos e recuperação física e mental.

A implementação, contudo, exigirá adaptações. Setores como comércio, alimentação e serviços, que dependem de funcionamento contínuo, precisarão reorganizar escalas e equipes para atender às novas regras. O desafio será conciliar a redução da jornada com a manutenção dos serviços e a sustentabilidade das atividades econômicas.

Por isso, a efetividade da medida dependerá não apenas da promulgação da emenda, mas também da fiscalização e do diálogo entre trabalhadores, empregadores e poder público.

O trabalho deve ocupar todo o tempo de vida?

Embora a mudança imponha desafios operacionais e econômicos, esses obstáculos precisam ser enfrentados sem ignorar os efeitos das jornadas extensas sobre a população. A produtividade é importante, mas não pode ser o único parâmetro para avaliar o desenvolvimento de um país.

Com a votação concluída, começa uma nova etapa: transformar a decisão legislativa em realidade. Mais do que extinguir uma escala de trabalho, a mudança convida a sociedade a refletir sobre uma questão essencial: qual é o sentido do crescimento econômico se as pessoas não dispõem de tempo suficiente para descansar, conviver e viver além do trabalho?

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