Quaest mostra avanço de Lula entre católicos
Pesquisa aponta mudanças entre eleitores religiosos em meio à polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida.
Publicado em 29 de setembro de 2026, 11:43 — Em São Paulo

A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (28), mostra mudanças nas intenções de voto entre católicos e evangélicos. Lula avançou nos dois grupos, enquanto Flávio Bolsonaro apresentou crescimento entre católicos e recuo entre evangélicos.
O levantamento foi realizado em um momento de forte repercussão da polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, considerada Padroeira do Brasil. Nas redes sociais e no debate eleitoral, circularam informações sobre uma suposta intenção de retirar o título da santa, algo que Flávio Bolsonaro negou.
A controvérsia ganhou dimensão política e jurídica, com decisões da Justiça Eleitoral sobre conteúdos publicados nas redes. O episódio também provocou manifestações de entidades religiosas e reacendeu a discussão sobre o uso de símbolos de fé em disputas eleitorais.
Lula avança entre católicos
Entre os católicos, Lula passou de 43% para 48% das intenções de voto no primeiro turno. Flávio Bolsonaro também oscilou positivamente, de 27% para 29%.
No segundo turno, a vantagem de Lula nesse segmento aumentou. O petista passou de 46% para 50%, enquanto Flávio permaneceu em 37%.
Entre os evangélicos, o cenário é diferente. Flávio Bolsonaro continua à frente, mas caiu de 49% para 46% no primeiro turno. Lula avançou de 23% para 27%.
Em um eventual segundo turno, Flávio aparece com 54%, ante 58% na pesquisa anterior. Lula passou de 28% para 30%.
As variações precisam ser observadas considerando as margens de erro: três pontos percentuais entre católicos e quatro entre evangélicos.
Cenário geral permanece apertado
Considerando todo o eleitorado, Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, dois pontos acima do levantamento anterior. Flávio Bolsonaro marca 34%, crescimento de um ponto.
No segundo turno, os dois aparecem novamente empatados numericamente, com 42% cada.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 24 e 27 de setembro. O nível de confiança é de 95%.</b>
Religião volta ao centro da campanha
A discussão envolvendo Nossa Senhora Aparecida não surgiu isoladamente. A relação entre religião e política ganhou espaço nas últimas eleições, especialmente diante da influência dos segmentos católico e evangélico sobre o eleitorado.
O caso atual, porém, trouxe um elemento adicional: a disputa sobre informações divulgadas nas redes sociais e a necessidade de distinguir uma declaração ou proposta efetivamente apresentada por um candidato de conteúdos produzidos ou compartilhados por terceiros.
Embora a pesquisa registre mudanças nas intenções de voto durante o período em que a polêmica ganhou força, os números não permitem afirmar que uma coisa tenha causado a outra. Para estabelecer essa relação, seriam necessárias pesquisas específicas sobre os motivos que levaram os eleitores a mudar ou manter suas escolhas.
O episódio, portanto, recoloca uma questão importante para o debate eleitoral: qual deve ser o espaço da religião na disputa política e quais são os limites para o uso de símbolos religiosos durante uma campanha?</b>
À medida que a eleição se aproxima, a discussão não envolve apenas quem lidera ou perde pontos nas pesquisas. Envolve também a qualidade das informações que chegam ao eleitor e a capacidade do debate público de separar fatos comprovados, interpretações políticas e conteúdos falsos.</b>




