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LIMEIRA

Palestra aborda combate à violência contra a mulher

Iniciativa foca na participação masculina para mudança social

Juliana Scudeler Salto
Juliana Scudeler Salto

Publicado em 9 de outubro de 2026, 15:00 — Em Limeira

4 min de leitura
Palestra aborda combate à violência contra a mulher
Palestra aborda combate à violência contra a mulherFoto: Câmara Municipal de Limeira

Presenciar uma situação de assédio contra uma mulher e não saber como agir é uma realidade que pode contribuir para que a violência continue. A importância de uma atitude segura, do acolhimento sem julgamentos e do conhecimento dos canais de denúncia foi o tema da palestra “Diálogos para uma cultura de respeito”, realizada na manhã de ontem, sexta-feira dia 09, na Câmara Municipal.

A atividade foi promovida pela Escola Legislativa Paulo Freire e encerrou o ciclo de palestras da campanha Agosto Lilás, voltado aos servidores do Legislativo. Os encontros foram conduzidos pela assistente social Marina Alencar e tiveram como objetivo ampliar a conscientização sobre a violência contra a mulher e as formas de enfrentamento.

Durante a apresentação, a palestrante exibiu um vídeo com situações de violência e assédio vivenciadas por mulheres em ambientes como academias, ônibus e ruas. A proposta foi chamar a atenção para a frequência dessas ocorrências e para a postura de pessoas que, mesmo presenciando os episódios, acabam desviando o olhar por constrangimento ou por não saberem como reagir.

Como agir ao presenciar um assédio?

Segundo Marina Alencar, combater a violência não significa necessariamente confrontar diretamente o agressor. Dependendo da situação, atitudes discretas podem ajudar a interromper o comportamento e oferecer apoio à mulher sem aumentar os riscos.

Entre os exemplos apresentados estão trocar de lugar com uma mulher no transporte público quando um homem estiver invadindo seu espaço, iniciar uma conversa com ela em uma academia caso esteja sendo constrangida ou abordar uma situação de perseguição de maneira que ajude a interromper o isolamento da vítima.

A conduta, porém, deve considerar as circunstâncias e a segurança de todos os envolvidos. Em situações de risco ou de violência em andamento, a orientação é acionar os serviços de emergência.

“Combater a violência não é vestir uma capa e partir para cima”, argumentou a assistente social, ao destacar que existem diferentes maneiras de intervir. Para ela, a responsabilidade pelo enfrentamento não deve ficar restrita às mulheres ou às pessoas diretamente envolvidas na ocorrência.

Acolhimento exige escuta e respeito às decisões da vítima

Outro ponto abordado na palestra foi a maneira correta de acolher uma mulher que relata ter sofrido violência ou assédio.

De acordo com Marina, pedir ajuda pode ser um passo difícil, especialmente quando a vítima procura um homem para relatar o que aconteceu. Por isso, a orientação é ouvir com atenção, respeitar o tempo e as decisões da mulher, evitar julgamentos, acreditar em seu relato, validar seus sentimentos e apresentar caminhos para buscar atendimento especializado.

O acolhimento também deve evitar pressões para que a vítima tome decisões para as quais ainda não se sente preparada. O objetivo é oferecer apoio e informações para que ela conheça seus direitos e tenha condições de procurar os serviços adequados.

A palestra também apresentou os recursos disponíveis na rede de proteção de Limeira, para que os participantes possam orientar mulheres que necessitem de atendimento.

O que faz parte da rede de proteção de Limeira?

A rede reúne diferentes setores que atuam no acolhimento, na orientação, na proteção e na garantia de direitos das mulheres.

  • Prefeitura: oferece serviços de assistência social, saúde, educação, habitação, segurança pública e políticas para as mulheres.
  • Sistema de Justiça e segurança pública: inclui Tribunal de Justiça, Defensoria Pública, Ministério Público, Polícia Militar e Polícia Civil, responsáveis por diferentes atribuições relacionadas à proteção, investigação, responsabilização e garantia de direitos.
  • Câmara Municipal: pode contribuir por meio da criação e do aprimoramento de leis, da fiscalização de políticas públicas, do debate público, da destinação orçamentária e da atuação da Procuradoria Especial da Mulher.
  • Sociedade: familiares, amigos, vizinhos, empregadores, organizações sociais, lideranças comunitárias e conselhos também podem colaborar com o acolhimento e o encaminhamento de mulheres em situação de violência.

Confira os canais para denunciar violência contra a mulher

Conhecer os números de atendimento pode ajudar tanto quem sofre violência quanto quem presencia uma ocorrência ou deseja denunciar uma situação.

190 — Polícia Militar: indicado para emergências, situações de risco à vida e crimes em andamento.

153 — Guarda Civil Municipal: canal de atendimento e apoio da Guarda Civil no município.

180 — Central de Atendimento à Mulher: recebe denúncias de violência contra a mulher e oferece orientações. O serviço funciona 24 horas.

100 — Disque Direitos Humanos: recebe denúncias de violações de direitos humanos, incluindo casos de violência contra mulheres, crianças, adolescentes e idosos.

As denúncias podem ser feitas por telefone e, conforme o serviço, por canais digitais. O Disque 180 também oferece atendimento por meio de canais oficiais na internet. É importante consultar as orientações de cada serviço para utilizar o meio adequado.

Campanha Agosto Lilás na Câmara de Limeira

Instituída no âmbito da Câmara Municipal de Limeira pela Resolução nº 919/2026, a campanha Agosto Lilás tem como objetivo conscientizar sobre a violência doméstica e suas diferentes formas.

Ao longo de agosto e setembro, a Escola Legislativa Paulo Freire promoveu palestras direcionadas às servidoras e aos servidores do Legislativo. O encontro desta sexta-feira encerrou a programação, com foco na participação dos homens no enfrentamento ao assédio, no acolhimento das vítimas e na divulgação dos serviços disponíveis no município.

A mensagem que encerrou a atividade reforçou a proposta da campanha: “Onde há respeito, não há espaço para a violência”.

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