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MPE cobra explicações do governo Tarcísio sobre ação da PM envolvendo Haddad

MPE investiga possível uso político da PM durante a eleição.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 14 de agosto de 2026, 16:35 — Em São Paulo

2 min de leitura
MPE cobra explicações do governo Tarcísio sobre ação da PM envolvendo Haddad
MPE cobra explicações do governo Tarcísio sobre ação da PM envolvendo Haddad

O Ministério Público Eleitoral (MPE) deu cinco dias para que o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) apresente esclarecimentos sobre a atuação da Polícia Militar envolvendo o candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) e seu motorista. A Procuradoria quer saber se houve ordem, autorização ou anuência da Secretaria da Segurança Pública para o patrulhamento realizado na região onde Haddad mora.

Entre os dados solicitados estão a identificação do batalhão responsável pelo policiamento, sua área de atuação, os itinerários das viaturas e os pontos de estacionamento previamente determinados. O MPE também pediu informações sobre a viatura envolvida, o trajeto percorrido, a função de cada policial e a identificação dos agentes que participaram da ocorrência. Imagens de câmeras de segurança também deverão ser analisadas.

O Ministério Público afirma que os relatos apresentados indicam possível prática de abuso dos poderes político e de autoridade, caso tenha havido utilização da máquina pública e do aparato policial para intimidar ou constranger um candidato durante o processo eleitoral. O órgão também cita a possibilidade de emprego irregular de bens e servidores públicos. A hipótese, porém, ainda está sob investigação e não representa uma conclusão sobre a existência de irregularidade.

A Secretaria da Segurança Pública afirma que, em uma investigação preliminar, analisou cerca de 40 câmeras privadas de residências e estabelecimentos comerciais ao longo do percurso informado pelo motorista. Segundo a pasta, até o momento não foram identificados indícios de abordagem ou procedimento irregular, nem interação entre os policiais e Haddad ou integrantes de sua equipe.

A SSP informou que a apuração continua e que, caso sejam encontrados elementos de irregularidade, o procedimento poderá ser transformado em inquérito.

Haddad, por sua vez, relatou que percebeu a viatura acompanhando seu veículo na noite de 11 de agosto, quando chegava em casa. Segundo o candidato, os policiais chegaram a emparelhar com o carro e direcionaram luzes para o veículo. Ao desembarcar, afirmou ter recebido luz diretamente no rosto, sem que os agentes fizessem qualquer abordagem ou explicação.

O episódio ganhou maior repercussão no dia seguinte, quando o motorista contou que teria continuado sendo seguido. Ele chegou a parar em frente a um hotel próximo à avenida 23 de Maio para tentar entender o que ocorria. Segundo o advogado da campanha, ao procurar os policiais, ouviu apenas: “Vaza daqui”.

Em agenda no interior paulista, Haddad disse que espera esclarecimentos e, caso seja constatada uma conduta inadequada, um pedido de desculpas.

O caso agora coloca em discussão uma questão que ultrapassa a disputa eleitoral: como garantir que a atuação policial seja firme contra a criminalidade, mas também absolutamente impessoal durante uma eleição?

A investigação do MPE poderá ajudar a separar uma ação rotineira de eventual abuso. Até que as provas sejam analisadas, tanto acusações quanto conclusões definitivas seriam precipitadas. Em uma democracia, especialmente durante o período eleitoral, a transparência das instituições é fundamental para preservar a confiança pública e nenhum candidato, governo ou força de segurança deve estar acima dessa cobrança.

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