Militantes registram BO após abordagem com camisetas do PT; policiais são investigados
Duas mulheres formalizaram denúncias na noite de quinta-feira (22), após relatarem ameaças e agressões; Ouvidoria solicitou afastamento dos agentes envolvidos.
Publicado em 23 de outubro de 2026, 13:45 — Em Piracicaba

O episódio envolvendo uma abordagem da Polícia Militar e o uso de camisetas de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Piracicaba, ganhou mais um capítulo após duas militantes do Partido dos Trabalhadores registrarem um boletim de ocorrência na noite de ontem, quinta-feira (22). As mulheres denunciam supostas ameaças, agressões, constrangimento e abuso de autoridade durante a ação policial.
A ocorrência inicial foi registrada na quarta-feira (21), na comunidade Pantanal, após uma denúncia recebida pelo telefone 190 sobre possível tráfico de drogas e a presença de um suspeito armado.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), durante a operação foram apreendidas 160 porções de cocaína e um revólver. Dois homens, de 21 e 24 anos, foram presos, enquanto um adolescente de 17 anos foi apreendido.
Após a abordagem, um vídeo gravado em frente à delegacia mostrou os três envolvidos utilizando camisetas de apoio ao presidente Lula. As imagens circularam nas redes sociais e foram compartilhadas por representantes políticos, provocando questionamentos sobre a origem das peças.
Familiares dos envolvidos e moradores da comunidade contestaram as circunstâncias em que as camisetas apareceram no vídeo. A deputada estadual Professora Bebel (PT) também se manifestou, denunciando que as peças teriam sido retiradas de militantes do partido e posteriormente colocadas nos suspeitos.
Militantes concederam entrevistas e registraram boletim de ocorrência
Na tarde de quinta-feira (22), Jéssica e Marcela concederam entrevistas ao Canal de Piracicaba, nas quais apresentaram suas versões sobre a abordagem policial.
As duas relataram supostas ameaças, ofensas políticas, agressões e coação para entregar camisetas de apoio ao presidente Lula. Uma delas afirmou ter recebido um chute na perna, enquanto ambas relataram que policiais teriam entrado em uma residência sem autorização.
Ainda segundo as militantes, as peças retiradas da residência teriam sido entregues aos suspeitos abordados, que receberam ordens para vesti-las.
Na noite de quinta-feira, as mulheres compareceram ao plantão da Polícia Civil de Piracicaba, acompanhadas por advogados, e registraram o boletim de ocorrência.
O documento reúne declarações sobre ameaças, constrangimento ilegal e possíveis crimes de abuso de autoridade. As militantes também relataram medo de represálias e afirmaram que deixaram de dormir em suas residências desde o episódio.
Outro ponto registrado no boletim envolve a presença de policiais militares na delegacia. Conforme o documento, agentes que compareceram à unidade recusaram participar de um procedimento de reconhecimento solicitado pela autoridade policial.
As informações apresentadas pelas mulheres constituem denúncias formalizadas e ainda dependem de apuração.
Ouvidoria solicita afastamento de policiais
A deputada estadual Professora Bebel (PT) encaminhou as denúncias à Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo e cobrou providências para esclarecer as circunstâncias da ocorrência.
Na quinta-feira (22), a Ouvidoria informou que havia solicitado à Corregedoria da Polícia Militar esclarecimentos sobre a abordagem e o afastamento dos agentes identificados do serviço operacional até a conclusão das investigações.
A Polícia Militar instaurou procedimento para apurar possíveis irregularidades na atuação dos policiais. Entretanto, até esta sexta-feira (23), não havia confirmação oficial de que os agentes tivessem sido afastados ou suspensos.
O episódio também motivou uma representação do PT à Procuradoria-Geral Eleitoral, solicitando a apuração dos fatos relacionados à abordagem e à utilização das imagens divulgadas nas redes sociais.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública também passou a acompanhar os desdobramentos e solicitou informações aos órgãos estaduais responsáveis pela apuração.
Posicionamento da Segurança Pública
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que a operação teve início após uma denúncia recebida pelo telefone 190, que apresentava características dos suspeitos e mencionava camisetas relacionadas à campanha presidencial.
A pasta confirmou as apreensões de drogas e arma durante a ação e afirmou que não compactua com eventuais desvios de conduta de seus agentes.
A reportagem do Canal de Piracicaba também procurou a comunicação da Polícia Militar para solicitar uma entrevista sobre as denúncias, mas não havia obtido um representante para comentar diretamente o episódio até o fechamento da cobertura inicial.
As informações sobre as apreensões foram apresentadas oficialmente pela Segurança Pública. Já as denúncias de agressões, ameaças, retirada das camisetas e possível abuso de autoridade seguem sob investigação.
O registro do boletim de ocorrência formaliza as denúncias, mas não comprova, por si só, as irregularidades relatadas. As autoridades responsáveis deverão analisar os depoimentos, registros da operação e demais elementos disponíveis para esclarecer os fatos.




