Lula ultrapassa Flávio Bolsonaro em popularidade digital após o primeiro turno
Petista sobe para 82,6 pontos no índice da Quaest, enquanto senador recua; números revelam mudança no engajamento on-line.
Publicado em 19 de outubro de 2026, 10:19 — Em São Paulo

A disputa presidencial de 2026 ganhou um novo capítulo no ambiente digital. Após o primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ultrapassou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Índice de Popularidade Digital (IPD), elaborado pela consultoria Quaest. Os dados mostram uma mudança no desempenho dos dois candidatos nas redes sociais durante o início do segundo turno.
Entre 4 e 15 de outubro, Lula avançou de 70,7 para 82,6 pontos, uma alta de 11,9 pontos. Flávio, que começou o período na liderança do indicador, caiu de 80 para 76,4 pontos, uma redução de 3,6 pontos. Com isso, o presidente passou a registrar uma vantagem de 6,2 pontos sobre o adversário.
O IPD reúne diferentes variáveis relacionadas à presença e à repercussão de figuras públicas na internet, considerando aspectos como visibilidade, engajamento e mobilização em plataformas digitais. A pontuação, que varia de zero a 100, busca medir a movimentação on-line para além da quantidade de seguidores ou curtidas.
A mudança ocorre em um momento estratégico da campanha, quando os candidatos intensificam a comunicação para conquistar eleitores na reta final da disputa. O desempenho digital de Lula coincide com iniciativas de mobilização nas redes e mudanças no formato de divulgação de conteúdos políticos. Entretanto, os números, isoladamente, não permitem atribuir o crescimento a uma única estratégia ou acontecimento.
Popularidade nas redes significa mais votos?
Apesar da virada no indicador, é importante distinguir repercussão digital de intenção de voto. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula na votação presidencial, com 47,03% dos votos, contra 45,16% do petista. O resultado evidencia que a liderança nas urnas e o desempenho nas plataformas digitais medem fenômenos diferentes.
A movimentação nas redes pode ampliar a visibilidade de propostas, fortalecer a mobilização de apoiadores e influenciar a discussão pública. Porém, não significa, necessariamente, que as pessoas que interagem com determinado conteúdo votarão naquele candidato.
Diante desse cenário, fica uma questão importante para o eleitor: até que ponto a popularidade digital ajuda a compreender a força política de um candidato, e quando ela passa a refletir apenas o alcance de uma estratégia de comunicação?
Em uma eleição marcada pela polarização, curtidas, compartilhamentos e comentários fazem parte da disputa, mas não substituem a análise de propostas, trajetórias e compromissos. Mais do que acompanhar quem lidera nas redes, o desafio da sociedade é avaliar a qualidade das informações que circulam e cobrar dos candidatos respostas concretas para os problemas do país.




