Lula mobiliza multidão digital na reta final da campanha eleitoral
Live com Janones reúne mais de 1 milhão de espectadores simultâneos e reforça estratégia digital do petista contra Flávio Bolsonaro.
Publicado em 23 de outubro de 2026, 14:44 — Em São Paulo

A mobilização eleitoral ganhou força nas redes sociais na noite de quinta-feira (22.out.2026), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de uma transmissão ao vivo com o deputado federal André Janones (Rede-MG). A iniciativa, voltada à reta final do segundo turno, reuniu mais de 1 milhão de espectadores simultâneos no canal de Lula no YouTube e buscou ampliar a participação dos apoiadores na campanha contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Com duração de aproximadamente 1 hora e 20 minutos, a live contou com participações do cantor Jão, das atrizes Marieta Severo, Camila Pitanga e Leandra Leal, da influenciadora Nath Finanças e do apresentador Serginho Groisman, entre outras personalidades. Sob a condução de Janones, Lula conversou brevemente com os convidados e convocou os seguidores a intensificarem a mobilização digital antes da votação de domingo (25.out).
A transmissão foi organizada em torno do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado por Janones, que ultrapassou 8 milhões de seguidores. O grupo funciona como uma rede de mobilização política, com orientações para compartilhar conteúdos favoráveis ao presidente, impulsionar hashtags e ampliar a repercussão de publicações relacionadas à disputa eleitoral.
Durante a live, Lula recorreu à linguagem adotada pelo grupo para incentivar a militância. O presidente afirmou que os apoiadores deveriam usar os celulares para defender um projeto de sociedade baseado na convivência e no respeito, em vez de estimular a violência política.
A estratégia acompanha uma mudança na comunicação da campanha petista, que passou a apostar mais em transmissões ao vivo, vídeos curtos e interação direta com os eleitores. A tentativa é alcançar públicos que nem sempre acompanham os meios tradicionais de comunicação e transformar o engajamento virtual em mobilização eleitoral.
Engajamento não garante votos
Levantamentos recentes mostram que Lula ampliou sua presença digital durante o segundo turno. Uma análise da Datrix publicada pela Exame em 21 de outubro apontou que o presidente liderava em volume de publicações e interações, enquanto Flávio Bolsonaro mantinha vantagem no número de perfis influentes que comentavam sua candidatura. O estudo também identificou uma aproximação entre os candidatos nos indicadores de repercussão digital.
Os números, contudo, exigem cautela. Curtidas, comentários, visualizações e seguidores medem alcance e participação nas plataformas, mas não representam necessariamente votos. A capacidade de converter a audiência em apoio efetivo depende de fatores como identificação política, rejeição aos candidatos, propostas de governo e comparecimento às urnas.
Outro ponto levantado durante a transmissão foi a suspeita de favorecimento a Flávio Bolsonaro por parte da Meta, empresa responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp. Em 16 de outubro, a companhia reconheceu uma falha técnica que teria bloqueado determinados conteúdos de campanha favoráveis a Lula, enquanto materiais semelhantes sobre Flávio eram permitidos. A empresa negou, porém, que o problema refletisse viés político deliberado.
O episódio amplia a discussão sobre transparência e responsabilidade das plataformas digitais durante as eleições, especialmente quando sistemas automatizados podem afetar a circulação de conteúdo político.
Com o segundo turno marcado para domingo, a campanha petista tenta demonstrar que a mobilização nas redes pode ajudar a reduzir a distância entre os candidatos. Flávio, por sua vez, também amplia sua presença digital e mantém uma base de apoiadores ativa.
A questão que fica para o debate público é: até que ponto as redes sociais estão ajudando o eleitor a formar uma opinião consciente e quando passam a funcionar como instrumentos de pressão, polarização ou manipulação? Em uma eleição decidida nos detalhes, a audiência de uma transmissão pode revelar a força de uma militância, mas somente as urnas mostrarão se essa mobilização foi suficiente para mudar o resultado.




