Lula diferencia facções de terrorismo internacional
Em sabatina, presidente reconhece violência do PCC e CV, mas rejeita classificação defendida pelos EUA.
Publicado em 16 de outubro de 2026, 13:05 — Em São Paulo

A definição de terrorismo voltou ao centro do debate sobre segurança pública no Brasil nesta quinta-feira (15.out.2026). Durante sabatina da TV Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) exercem uma forma de terror sobre comunidades, bairros e cidades brasileiras, mas diferenciou a atuação dessas organizações do conceito de terrorismo adotado pelos Estados Unidos.
Ao explicar sua posição, Lula argumentou que o governo norte-americano associa o terrorismo a episódios como os ataques de 11 de setembro de 2001 e a ações contra a ordem institucional, incluindo tentativas de golpe de Estado. Na avaliação do presidente, as facções brasileiras têm como principal objetivo a obtenção de dinheiro por meio de atividades criminosas, o que, segundo e
“
Os Estados Unidos falam em terrorismo como aqueles que atentaram contra as duas torres americanas, contra aqueles que querem dar golpe de Estado. Não o caso das facções e do crime organizado no Brasil, que só querem dinheiro, declarou.”
Na sequência, o presidente ressaltou que a distinção conceitual não diminui a violência imposta pelas organizações criminosas à população. “Aqui no Brasil, tanto o PCC como o Comando Vermelho são terroristas para a comunidade brasileira e para os bairros brasileiros e para as cidades”, afirmou. Lula acrescentou que essa realidade não corresponde, em sua interpretação, à classificação de terrorismo que os Estados Unidos pretendem aplicar ao caso.
A declaração evidencia uma diferença de abordagem sobre como classificar e enfrentar organizações criminosas que exercem controle territorial, ameaçam moradores e desafiam a atuação do poder público. De um lado, está o impacto cotidiano da violência sobre a população; de outro, a discussão jurídica e política sobre quais critérios devem definir o terrorismo e quais instrumentos podem ser utilizados no combate a esses grupos.
Segurança pública exige mais do que uma disputa de conceitos
A discussão não se limita à escolha de uma palavra. A classificação de uma organização como terrorista pode produzir consequências jurídicas, diplomáticas e operacionais, tornando necessário distinguir a gravidade dos crimes cometidos dos critérios legais que fundamentam esse enquadramento. A definição adotada também precisa considerar a legislação brasileira e as obrigações internacionais do país.
Ao mesmo tempo, para moradores de áreas submetidas à violência armada, o debate conceitual pode parecer distante de uma realidade marcada por ameaças, restrições à circulação, extorsões e medo. Independentemente da nomenclatura utilizada, o enfrentamento dessas organizações exige políticas capazes de proteger a população, investigar crimes, desarticular estruturas financeiras e impedir que grupos criminosos ocupem o espaço deixado pelo Estado.
O desafio, portanto, é conciliar rigor jurídico, cooperação internacional e resultados concretos na segurança pública. Mais do que disputar quem tem a definição mais adequada, autoridades brasileiras e estrangeiras precisam demonstrar como suas estratégias podem reduzir a violência sem comprometer direitos fundamentais.
A pergunta que permanece para o debate público é direta: qualquer que seja a classificação jurídica adotada, o Estado está conseguindo devolver segurança, liberdade e tranquilidade às comunidades submetidas ao poder das facções? É pela resposta a essa questão e não apenas pelo embate de discursos que a eficácia das políticas de segurança deve ser avaliada.




