Lula critica “tesouraço” e acusa proposta de ajuste fiscal de penalizar os mais pobres
Presidente questiona cortes e reacende debate sobre gastos públicos e privilégios.
Publicado em 9 de outubro de 2026, 11:58 — Em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira (8.out.2026) a proposta de “tesouraço” associada ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Após encontro com congressistas, em Brasília, Lula afirmou que medidas de ajuste fiscal podem penalizar a população mais pobre quando os cortes atingem políticas e serviços públicos.
“Eles fazem essa proposta para tirar do pobre, declarou o presidente, que também comparou a iniciativa ao teto de gastos, mecanismo criado para limitar o crescimento das despesas públicas.”
O que é o tesouraço?
O termo “tesouraço” é utilizado para descrever um pacote de cortes expressivos nos gastos do governo. A proposta, em geral, busca reduzir despesas, conter o avanço da dívida pública e melhorar as contas públicas.
Entretanto, os efeitos dependem de onde os cortes serão aplicados. Reduzir gastos administrativos é diferente de diminuir investimentos, alterar benefícios sociais ou limitar recursos destinados à saúde e à educação. Por isso, conhecer os detalhes da proposta é essencial para avaliar suas consequências.
Ajuste fiscal: quem paga a conta?
Defensores do controle de gastos argumentam que o equilíbrio fiscal é necessário para garantir a sustentabilidade das contas públicas e a estabilidade econômica. Críticos, por sua vez, alertam que cortes mal planejados podem comprometer serviços essenciais e ampliar desigualdades.
Ao criticar o tesouraço, Lula sustenta que o esforço fiscal não deve recair sobre os mais vulneráveis. A discussão, portanto, envolve não apenas quanto o Estado gasta, mas também quais despesas devem ser reduzidas e como os recursos públicos são distribuídos.
O debate que precisa avançar
O Brasil precisa conciliar responsabilidade fiscal, crescimento econômico e proteção social. Mas como fazer isso sem transferir o peso dos ajustes para quem tem menos recursos?
A questão merece debate para além da polarização política: quais gastos podem ser reduzidos sem prejudicar direitos? Como combater desperdícios e privilégios? E qual deve ser a contribuição dos mais ricos para o equilíbrio das contas públicas?
No fim, o desafio não é apenas cortar despesas, mas definir prioridades com transparência e responsabilidade. Afinal, quem deve pagar a conta do ajuste fiscal e quais interesses precisam ser protegidos nessa escolha?




