Lula celebra decisão como conquista histórica dos trabalhadores
Senado aprova fim da escala 6×1, e Lula celebra decisão como conquista histórica dos trabalhadores.
Publicado em 15 de outubro de 2026, 15:05 — Em São Paulo

A aprovação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 pelo Senado Federal foi comemorada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quarta-feira (14/10). Nas redes sociais, o chefe do Executivo classificou a medida como uma “conquista histórica” e destacou a mobilização popular em defesa da mudança nas relações de trabalho.
Em um vídeo publicado após a votação, Lula aparece acompanhando o resultado e parabeniza tanto os trabalhadores que participaram de manifestações quanto os senadores favoráveis à proposta. Para o presidente, a aprovação representa mais do que uma decisão institucional: é resultado de uma reivindicação construída nas ruas e ligada a uma demanda histórica da classe trabalhadora.
A votação também ocorre em um momento de forte disputa política. Uma das principais pautas trabalhistas do governo, o fim da escala 6×1 ganhou destaque no debate eleitoral e integra as discussões sobre as condições de trabalho no país. A aprovação aconteceu a 11 dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, quando Lula disputa a Presidência com o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O texto foi aprovado em dois turnos, com 75 votos favoráveis e um contrário em cada votação. O único voto contrário foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Como a proposta não sofreu alterações em relação à versão aprovada pela Câmara dos Deputados em maio, o texto segue para promulgação pelo Congresso Nacional.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) prevê a redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado. A mudança abre caminho para a adoção da escala 5×2, com uma das folgas preferencialmente aos domingos.
Mais tempo para viver ou um desafio para reorganizar o trabalho?
Para além da comemoração política, a proposta coloca em evidência uma questão que afeta milhões de brasileiros: como equilibrar produtividade, renda e qualidade de vida? Para quem trabalha seis dias por semana e dispõe de apenas um dia de descanso, a possibilidade de ampliar o tempo destinado à família, ao lazer, aos estudos e à própria saúde representa uma mudança significativa na rotina.
Ao mesmo tempo, a implementação de uma nova jornada exige discussão sobre os impactos nos diferentes setores da economia, especialmente nas atividades que dependem de funcionamento contínuo, como comércio, serviços e saúde. A transição precisará considerar as condições de cada segmento, sem perder de vista a proteção dos trabalhadores e a sustentabilidade das atividades econômicas.
O debate, portanto, não deve se limitar à disputa entre governo e oposição, nem ser reduzido a um instrumento de campanha eleitoral. A questão central é definir que modelo de organização do trabalho o país pretende construir e como distribuir seus benefícios e custos.
Se o trabalho é essencial para a economia, o descanso também é parte fundamental da vida. A discussão sobre o fim da escala 6×1 convida a sociedade a refletir sobre um princípio que vai além das diferenças partidárias: o desenvolvimento de um país deve ser medido apenas pelo que produz ou também pelas condições de vida de quem torna essa produção possível?




