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Justiça prorroga por mais 30 dias prisão de Milton Leite em investigação sobre PCC no transporte público de São Paulo

Ex-presidente da Câmara Municipal é investigado na Operação Vectura Corrupta, que apura suspeitas de infiltração do crime organizado em empresas de ônibus; polícia encontrou cerca de R$737 mil na casa de um assessor ligado ao político.

Juliana Scudeler Salto
Juliana Scudeler Salto

Publicado em 16 de outubro de 2026, 13:40 — Em São Paulo

6 min de leitura
Justiça prorroga por mais 30 dias prisão de Milton Leite em investigação sobre PCC no transporte público de São Paulo
Justiça prorroga por mais 30 dias prisão de Milton Leite em investigação sobre PCC no transporte público de São PauloFoto: Afonso Braga/Câmara Municipal de São Paulo

A Justiça de São Paulo prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária de Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal da capital paulista, e de outros investigados na Operação Vectura Corrupta. A investigação apura suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital no sistema de transporte público e possíveis vínculos com empresas responsáveis pela operação de linhas de ônibus na cidade.

Milton Leite está preso desde 18 de setembro, quando se apresentou à Polícia Civil em Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo, após não ter sido localizado durante as primeiras diligências da operação.

O ex-parlamentar é investigado por uma suposta ligação com a empresa Transwolff, apontada pelas autoridades como parte do esquema sob apuração. Segundo as suspeitas reunidas no inquérito, Leite seria o verdadeiro proprietário da companhia, embora não figurasse formalmente nessa condição. Ele nega as acusações e afirma que não participou de nenhuma atividade ilegal.

Operação investiga infiltração do PCC no transporte público

Deflagrada em setembro, a Operação Vectura Corrupta é conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A investigação busca esclarecer como integrantes do PCC teriam se infiltrado em empresas de transporte coletivo, com suspeitas que incluem lavagem de dinheiro, direcionamento de licitações e possíveis relações com agentes públicos.

Na fase inicial, a Justiça decretou a prisão temporária de 16 investigados e autorizou o cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram em endereços da capital paulista, do interior e do litoral do estado.

De acordo com informações divulgadas pelas autoridades, ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo da cidade de São Paulo seriam, em tese, controladas pela facção criminosa. A apuração busca identificar a participação de cada suspeito e esclarecer como o suposto esquema funcionaria.

A investigação também examina a possível utilização de empresas e de sócios formais para ocultar os responsáveis efetivos pelos negócios, além de suspeitas de irregularidades em contratos públicos.

Suspeitas envolvendo a Transwolff

A Transwolff está entre as empresas citadas nas investigações sobre a possível atuação do PCC no setor de transporte. O nome de Milton Leite aparece na apuração em razão de suspeitas de que ele teria influência sobre a companhia e sobre decisões relacionadas ao segmento.

Um dos elementos mencionados nas reportagens sobre o caso é o depoimento prestado pelo segundo-sargento da Polícia Militar Alexandre Aleixo Romano Cezário à Corregedoria da corporação, em fevereiro de 2026. Segundo o relato reproduzido pelo Metrópoles, o policial afirmou ter ouvido que Leite seria o verdadeiro dono da Transwolff e que outros dirigentes atuariam como intermediários.

O próprio depoente, porém, ressalvou que não tinha como comprovar a informação que havia ouvido.

O caso também envolve suspeitas relacionadas à atuação de agentes de segurança ligados a pessoas que ocuparam cargos de direção na empresa. Esses elementos integram o conjunto de informações que as autoridades buscam esclarecer durante a investigação.

Em manifestação anterior, Milton Leite negou conhecer o policial responsável pelo depoimento e rejeitou a acusação de ser proprietário da Transwolff.

“A verdade é que, de livre e espontânea vontade, ofereci meus sigilos bancário, fiscal e telefônico ao Ministério Público quando estas mesmas mentiras foram ditas dois anos atrás. E nada foi encontrado, pois não sou dono de tal empresa nem participei de nenhuma ilegalidade”, declarou, segundo reportagem do Metrópoles.

Ex-vereador se entregou em Mogi das Cruzes

Milton Leite se apresentou à Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes, em Mogi das Cruzes, no dia 18 de setembro, dois dias depois do início da operação.

Antes de comparecer à unidade policial, o ex-vereador não havia sido localizado nos endereços procurados pelos investigadores. Ele havia informado que se apresentaria às autoridades dentro de 24 horas.

Na delegacia, Leite reafirmou que considera as acusações injustas e disse confiar no trabalho da polícia e da Justiça.

“Eu não cometi nenhum crime e nada devo. Eu nego todas as acusações e tenho convicção de que sou inocente. Eu acredito na justiça, no trabalho da polícia”, afirmou à imprensa.

Na ocasião, ele também declarou que pretendia demonstrar sua inocência durante o andamento do caso e que respeitaria as decisões judiciais.

A prisão temporária foi determinada no contexto da investigação, e a prorrogação mantém a medida cautelar enquanto as autoridades dão continuidade às diligências. A manutenção da prisão não representa, por si só, uma condenação criminal.

Polícia encontrou cerca de R$737 mil na casa de assessor

Durante as buscas realizadas em 18 de setembro, antes de Milton Leite se apresentar à polícia, investigadores encontraram R$280 mil em dinheiro e US$89 mil na residência de um assessor ligado ao ex-vereador.

Na conversão divulgada à época, o valor em dólares correspondia a aproximadamente R$457 mil. Somadas, as quantias chegavam a cerca de R$737 mil.

O dinheiro foi encontrado na casa do assessor durante as diligências da operação. A informação, por si só, não permite afirmar que os valores pertenciam a Milton Leite ou que tenham origem criminosa. A eventual relação das quantias com os fatos investigados depende dos elementos apurados pelas autoridades.

Prorrogação busca permitir continuidade das investigações

A necessidade de concluir a análise de materiais apreendidos está entre os motivos apresentados para a prorrogação das prisões. Conforme informações já divulgadas, a investigação precisa de mais tempo para realizar perícias em celulares, dispositivos eletrônicos e arquivos recolhidos durante a operação.

Parte dos equipamentos estaria protegida por senhas e mecanismos de criptografia, o que exige procedimentos técnicos para a extração de dados. Os investigadores pretendem analisar o conteúdo dos aparelhos antes de avançar em etapas dos interrogatórios e confrontar os suspeitos com as informações reunidas.

A Justiça também rejeitou pedidos das defesas para revogar as prisões ou substituí-las por medidas cautelares alternativas.

O material extraído dos dispositivos poderá ajudar a esclarecer as relações entre os investigados, as empresas de transporte citadas e as decisões que estão sob análise.

Trajetória política de Milton Leite

Milton Leite chegou à Câmara Municipal de São Paulo em 1997 e exerceu sete mandatos consecutivos como vereador, até 2024. Ao longo da trajetória, presidiu o Legislativo municipal em dois períodos: entre 2017 e 2018 e de 2021 a 2024.

Em julho de 2024, anunciou que não disputaria um novo mandato. Ele também ocupa a presidência estadual do União Brasil, conforme informações publicadas pelo Metrópoles.

Sua atuação política e sua relação com o setor de transporte público passaram a integrar o debate em torno das suspeitas investigadas. Leite, por sua vez, afirma que os contatos mantidos com representantes das empresas ocorreram em razão de sua atuação institucional.

O ex-vereador sustenta que não é dono da Transwolff e nega qualquer ligação com o PCC.

Investigação continua

Com a prorrogação da prisão temporária, a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo seguem trabalhando para esclarecer as suspeitas relacionadas à Operação Vectura Corrupta. A apuração envolve possíveis conexões entre o crime organizado, empresas de transporte coletivo e agentes públicos.

Até que os fatos sejam esclarecidos no âmbito judicial, as suspeitas contra Milton Leite e os demais investigados devem ser tratadas como acusações sob investigação, e não como culpa comprovada.

Milton Leite nega as acusações e afirma confiar na Justiça. A defesa deve ter assegurado espaço para manifestação e apresentação de seus argumentos ao longo do processo.

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