SÃO PEDRO

Formação capacita professores para integrar educação ambiental à rotina das escolas municipais

Programação de quatro dias apresentou ferramentas para trabalhar questões ambientais de forma integrada ao currículo e às atividades já desenvolvidas em sala de aula.

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Publicado em 25 de agosto de 2026, 11:36 — Em São Pedro

5 min de leitura
Formação capacita professores para integrar educação ambiental à rotina das escolas municipais
Formação capacita professores para integrar educação ambiental à rotina das escolas municipais

Profissionais da rede municipal de ensino de São Pedro participaram de uma programação de quatro dias voltada à formação em educação ambiental. A iniciativa foi promovida pela Secretaria Especial de Meio Ambiente e Agricultura (SEMAGRI), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação.

O objetivo é ampliar a presença das questões ambientais dentro das escolas municipais e oferecer aos professores ferramentas para trabalhar o assunto de maneira integrada aos conteúdos que já fazem parte do planejamento pedagógico.

A proposta apresentada durante os encontros parte do princípio de que a educação ambiental não deve ser encarada como uma atividade extra ou como mais uma obrigação acrescentada à rotina dos professores.

A intenção é permitir que temas relacionados ao meio ambiente apareçam naturalmente dentro das disciplinas, aproveitando conteúdos que já são desenvolvidos em sala de aula e evitando uma sobrecarga aos profissionais.

Formação envolveu diferentes etapas de ensino

A programação foi dividida de acordo com as diferentes etapas da educação municipal, com atividades destinadas à Educação Infantil, ao Ensino Fundamental e duas etapas específicas para profissionais do Ensino Fundamental II.

Nesta última modalidade, participaram principalmente professores das áreas de Ciências, História e Geografia, além de profissionais de outras disciplinas interessados na temática, incluindo uma professora de Língua Portuguesa.

Durante os encontros, os educadores discutiram a necessidade de fortalecer a educação ambiental dentro das escolas e conheceram possibilidades para relacionar o assunto ao currículo já trabalhado com os estudantes.

Uma aula de Ciências, por exemplo, pode utilizar conteúdos sobre biodiversidade e recursos naturais para discutir questões ambientais. Em História, os professores podem trabalhar as mudanças ocorridas no território e a maneira como diferentes sociedades se relacionaram com o ambiente ao longo do tempo.

Na Geografia, assuntos relacionados ao espaço urbano, ocupação territorial e impactos ambientais também podem servir como ponto de partida para a discussão. Outras áreas do conhecimento também podem incorporar a temática a partir dos próprios conteúdos.

Educação ambiental crítica

Um dos conceitos apresentados aos professores foi o de educação ambiental crítica.

A abordagem busca ir além da transmissão de orientações sobre preservação ambiental ou da adoção individual de determinados comportamentos.

A proposta é fazer com que os estudantes consigam compreender as relações existentes entre sociedade e natureza, analisar problemas ambientais presentes na própria realidade e refletir sobre suas causas e consequências.

Com isso, o aluno passa a ocupar uma posição mais ativa dentro do processo de aprendizagem, desenvolvendo capacidade para observar, questionar e participar da construção de possíveis soluções.

Formação contou com profissionais da área

Entre as responsáveis pela formação esteve Carolina Rocha Campani, mestre em Educação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, e licenciada e bacharel em Ciências Biológicas pela mesma instituição.

Atualmente, Carolina é professora de Ciências e chefe do Departamento de Educação Ambiental da SEMAGRI. Ela também desenvolveu pesquisas relacionadas à Educação Ambiental e à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), participou de iniciativas de formação de professores e atuou com projetos de educação ambiental e conservação de abelhas nativas no Centro de Estudos de Insetos Sociais (CEIS).

Também participou da programação a professora doutora Maria Bernadete, da Unesp de Rio Claro. Graduada, mestre e doutora em Geografia, ela atua no Departamento de Educação da universidade e possui experiência nas áreas de ensino, formação de professores e educação ambiental.

Maria Bernadete lidera o grupo de pesquisa Coletivo de Pesquisas e Estudos em Ensino de Geografia e participa do grupo “A temática ambiental e o processo educativo”, ambos cadastrados no CNPq, além de integrar o Projeto EArte.

Tema deve fazer parte do cotidiano escolar

Segundo o secretário especial de Meio Ambiente e Agricultura, a intenção é fazer com que a educação ambiental esteja presente de forma permanente no cotidiano dos estudantes.

“A educação ambiental precisa estar presente no dia a dia e fazer sentido para a realidade dos alunos. Nosso objetivo é mostrar que ela não precisa representar uma nova tarefa para o professor, mas pode estar integrada ao conteúdo que ele já trabalha”, destacou.

Para a secretária municipal de Educação, Samanta Almozara, a articulação entre as diferentes áreas é necessária para que o assunto esteja efetivamente inserido no processo de aprendizagem.

“A educação ambiental precisa estar dentro do processo educativo, e não ser vista como uma atividade isolada ou pontual. Nosso desafio é oferecer aos professores ferramentas para que eles possam trabalhar essa temática a partir dos conteúdos que já fazem parte de suas disciplinas”, afirmou.

Educação ambiental e cidadania

A educação ambiental crítica também pretende estimular a formação cidadã dos estudantes.

Dentro dessa perspectiva, crianças e adolescentes são incentivados a observar a realidade em que vivem, identificar problemas, compreender as causas e consequências dessas situações e pensar em formas de participação.

A proposta é que a educação ambiental não fique limitada apenas a atitudes individuais, mas permita compreender questões mais amplas envolvendo sociedade, economia, cultura e meio ambiente.

Projetos já são desenvolvidos na rede municipal

A formação também está relacionada a outros programas de educação ambiental desenvolvidos pela SEMAGRI junto à rede municipal de ensino.

Um deles é o Escola Cata-Vento, iniciativa que transforma as unidades escolares em espaços para atividades práticas, debates e projetos relacionados à preservação ambiental.

Outro projeto é o Circuito CEA, que proporciona atividades pedagógicas em diferentes pontos do Centro de Educação Ambiental, incluindo experiências interativas e visitas guiadas ao viveiro municipal e às hortas urbanas comunitárias.

Com as novas formações, a proposta é ampliar a integração dessas iniciativas com o trabalho realizado diariamente em sala de aula e fortalecer a educação ambiental como parte do processo de aprendizagem.

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