Flávio acusa Judiciário de interferência no debate eleitoral
Candidato critica decisões judiciais e diz que mudanças afetaram as regras do confronto.
Publicado em 2 de outubro de 2026, 11:35 — Em São Paulo

A eleição presidencial de 2026 chegou à reta final do primeiro turno sem o confronto entre os dois principais candidatos. Na noite desta quinta-feira (1º.out), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desistiu de participar do debate que seria realizado pela TV Globo e acusou o Judiciário de interferir nas eleições. Pouco depois, a emissora anunciou o cancelamento do encontro.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que sua equipe estava preparada para comparecer à emissora, mas decidiu não participar após decisões judiciais que alteraram as condições previstas para o debate.</i>
Não vou compactuar com censura e interferência do Judiciário nas eleições, declarou o candidato.
Flávio também afirmou que, em vez de ir à Globo, faria uma transmissão própria pela TV Celular, em seu canal no YouTube, ao lado de integrantes de sua campanha, entre eles Daniella Marques, Pablo Marçal, Tereza Cristina e Adolfo Sachsida.</b>
Decisões judiciais mudaram o cenário
A desistência ocorreu depois de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar que a Globo não exibisse o púlpito vazio reservado a Lula, que já havia informado à emissora que não participaria do debate. A decisão também impediu que os demais candidatos dirigissem perguntas ao presidente ausente.
Em outra frente, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) no debate. As decisões modificaram regras previamente estabelecidas pela emissora e pelas campanhas.
A Globo alegou que as determinações de última hora provocaram insegurança jurídica e inviabilizaram a realização do programa. O debate estava previsto para ser o último confronto entre candidatos antes da votação do primeiro turno, marcada para domingo (4.out).
Com as duas desistências, o primeiro turno termina sem um debate televisivo entre Lula e Flávio. Segundo levantamento da imprensa, é a primeira vez em duas décadas que os principais candidatos à Presidência chegam ao fim do primeiro turno sem um confronto direto em um debate televisionado.
O que fica para o eleitor?
O episódio reúne três questões que ultrapassam a disputa entre Lula e Flávio: a autonomia das emissoras para organizar debates, os limites da atuação da Justiça Eleitoral e o compromisso dos candidatos em se submeter ao confronto público.
A participação em debates não é apenas uma questão de estratégia eleitoral. É também uma oportunidade para que o eleitor veja candidatos responderem a perguntas, críticas e posições divergentes sem o controle absoluto das próprias campanhas.
Ao mesmo tempo, decisões judiciais que alteram regras de um debate às vésperas de sua realização levantam questionamentos sobre os limites dessa intervenção e sobre como conciliar as regras eleitorais com a liberdade de organização das emissoras.</u>
No fim, o cancelamento deixa uma pergunta para o público: quando candidatos e instituições deixam de ocupar o mesmo espaço de confronto, quem perde a oportunidade de comparar diretamente propostas, argumentos e respostas; as campanhas ou o eleitor?</b>




