Espuma tóxica cobre trecho do Rio Jundiaí
Fenômeno crônico preocupa moradores e autoridades em Salto
Publicado em 13 de agosto de 2026, 13:24 — Em Jundiaí

Um trecho do Rio Jundiaí ficou coberto por espuma tóxica na manhã desta quinta-feira (13), no município de Salto, interior de São Paulo. As imagens registradas no local mostram a superfície do rio completamente tomada pela substância esbranquiçada, resultado de um problema que se repete com frequência nesse ponto do curso d'água.
As autoridades recomendam que a população, especialmente crianças, não se aproxime da água. O contato com as substâncias presentes na espuma pode causar irritação na pele e nos olhos, já que os resíduos são originados principalmente de detergentes e outros compostos químicos presentes no esgoto sem tratamento.
O fenômeno é classificado como crônico na região e tem origem em três fatores combinados. O primeiro é a poluição: o esgoto doméstico e industrial despejado sem tratamento adequado, proveniente em grande parte da Grande São Paulo, chega ao Rio Jundiaí com altas concentrações de fósforo e resíduos de detergentes. O segundo fator é a estiagem. A falta de chuvas reduz a vazão do rio, o que aumenta a concentração dos poluentes na água. O terceiro elemento é a topografia do leito: as quedas d'água sobre as pedras funcionam como um agitador mecânico, batendo os compostos químicos e gerando a espuma que cobre a superfície.
O Rio Jundiaí deságua no Rio Tietê, e a contaminação acumulada ao longo de seu percurso reflete décadas de urbanização sem infraestrutura adequada de saneamento na bacia hidrográfica. O problema evidencia os desafios ambientais enfrentados por municípios que recebem a carga poluidora produzida a montante, sem necessariamente ter controle sobre as fontes de contaminação.
Não há, até o momento da publicação, informações sobre ações emergenciais de órgãos ambientais ou prazos para intervenção no local.



