Derrota eleitoral amplia críticas internas no PT e coloca campanha de Lula sob pressão
Presidente demonstra insatisfação com a organização da campanha, enquanto Edinho Silva, Sidônio Palmeira e Janja enfrentam questionamentos nos bastidores do partido.
Publicado em 13 de outubro de 2026, 14:32 — Em São Paulo

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais desse ano abriu espaço para cobranças dentro do PT e entre integrantes do governo federal. Após Lula registrar menos votos do que na primeira etapa da disputa de 2022, a organização da campanha, a estratégia de comunicação e a atuação da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, passaram a ser questionadas por aliados do presidente.
Segundo reportagem publicada pela revista VEJA, três nomes concentram parte das críticas internas que são Edinho Silva, presidente nacional do PT e coordenador da campanha, Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência e Janja. Os questionamentos ocorrem em meio à discussão sobre os fatores que influenciaram o desempenho eleitoral do presidente.
A condução da campanha tornou-se um dos principais pontos de insatisfação. Edinho Silva, responsável pela coordenação dos trabalhos eleitorais, enfrentou críticas nos bastidores por concentrar decisões. Na avaliação de interlocutores ouvidos pela publicação, esse modelo teria dificultado a articulação política em diferentes regiões do país.
A insatisfação também foi manifestada pelo próprio Lula. Em reunião realizada após a votação de 04 de outubro, o presidente criticou a organização da campanha e afirmou que o trabalho ficou aquém de suas expectativas. Segundo ele, aquela havia sido a campanha menos organizada de que participou desde 1989.
O desempenho nas urnas reforçou a pressão sobre a equipe. No primeiro turno de 2026, Lula recebeu 3,38 milhões de votos a menos em comparação com o primeiro turno de 2022. Nos três maiores colégios eleitorais do Nordeste, região importante para sua base de apoio, a perda ultrapassou 230 mil votos.
Diante do cenário, a coordenação foi ampliada com a participação de Camilo Santana, senador e ex-governador do Ceará; Rui Costa, ex-governador da Bahia e senador eleito e Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí.
Comunicação entra na mira dos aliados
A estratégia de comunicação também passou a ser alvo de questionamentos. Sidônio Palmeira permaneceu à frente da Secretaria de Comunicação Social da Presidência durante o período eleitoral, enquanto seu sócio, Raul Rabelo, assumiu a função de marqueteiro da campanha.
De acordo com a VEJA, o resultado do trabalho não agradou ao presidente nem a parte da cúpula petista. Nesse contexto, surgiram comentários sobre a possibilidade de João Santana voltar a trabalhar com Lula. O publicitário comandou a campanha presidencial vitoriosa do petista em 2006 e também participou de campanhas bem-sucedidas de Dilma Rousseff.
Santana, que firmou uma delação premiada relacionada a suspeitas de corrupção em governos petistas, não foi contratado. A campanha, entretanto, recebeu o reforço de profissionais de marketing indicados por políticos que obtiveram bons resultados eleitorais em 2026.
A entrada desses colaboradores foi acompanhada por mudanças na comunicação digital do presidente. A estratégia passou a privilegiar vídeos e publicações com linguagem mais informal e direta, deixando em segundo plano parte dos discursos centrados na trajetória política de Lula e em temas como democracia e soberania nacional.
O foco também se voltou para o adversário Flávio Bolsonaro. Em publicações nas redes sociais, Lula relacionou a proposta de cortes defendida pelo senador a possíveis reduções em programas sociais, na construção de moradias e na merenda escolar.
Em outra abordagem, o presidente questionou as consequências de uma eventual continuidade do legado político de Jair Bolsonaro, associando esse cenário a desemprego, aumento da pobreza e falta de vacinas.
As mensagens fazem parte da estratégia de confronto político nas redes sociais, em uma tentativa de disputar a atenção dos eleitores com conteúdos mais objetivos e de fácil circulação no ambiente digital.
Atuação de Janja também gera divergências
A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, é outro nome mencionado nas discussões internas. Segundo a reportagem, integrantes do governo criticam sua presença pública e consideram que a exposição pode prejudicar a tentativa de ampliar o apoio eleitoral do presidente.
Entre os questionamentos está a avaliação de que a imagem da primeira-dama teria perdido força junto a parte do eleitorado. Essa percepção, atribuída a críticos do governo, alimenta o debate sobre o papel que ela deveria desempenhar na campanha.
A ex-senadora Kátia Abreu defendeu uma mudança de estratégia para o segundo turno, com menor participação de Janja e maior presença do vice-presidente Geraldo Alckmin. A sugestão está relacionada à necessidade de Lula buscar votos entre eleitores que não integram o núcleo tradicional de apoio à esquerda.
As críticas à primeira-dama se somam aos questionamentos sobre a coordenação eleitoral e a comunicação do governo. O conjunto dessas discussões revela divergências internas sobre a condução da campanha e os caminhos para ampliar o apoio ao presidente.
Apesar das cobranças direcionadas a auxiliares e aliados, a avaliação do desempenho do próprio Lula não aparece, segundo a reportagem, com a mesma intensidade nos questionamentos internos. O cenário coloca em evidência uma disputa sobre responsabilidades pelo resultado eleitoral e sobre os ajustes necessários na estratégia política do PT.




