Caso Master: PGR contraria Moraes sobre Mendonça
Parecer enviado ao STF aponta falta de provas de abuso de autoridade e amplia o debate sobre os limites da atuação judicial.
Publicado em 20 de outubro de 2026, 12:07 — Em São Paulo

A condução do caso Master ganhou um novo capítulo neste sábado (17.out.2026). Em manifestação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou não haver evidências de abuso de autoridade por parte do ministro André Mendonça, relator da investigação.
O posicionamento contrasta com a iniciativa do ministro Alexandre de Moraes, que havia apontado “fortes indícios” de abuso de autoridade e possível crime de responsabilidade na atuação do colega. A divergência coloca em evidência uma questão central: como apurar suspeitas envolvendo integrantes da própria cúpula do Judiciário sem comprometer a imparcialidade, a transparência e a credibilidade das instituições?
Assinam o parecer o procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, e os subprocuradores Antônio Edílio Magalhães Teixeira e André de Carvalho Ramos.
O que está por trás do conflito?
Para entender a dimensão do episódio, é preciso voltar ao caso Master, investigação que apura suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o banco ligado ao empresário Daniel Vorcaro. O caso passou a provocar repercussões que ultrapassam o setor financeiro e alcançam o ambiente político e o próprio STF.
A tensão aumentou após a divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro e a Moraes. André Mendonça, responsável pela relatoria do caso Master, encaminhou informações à presidência da Corte, enquanto Moraes questionou a atuação do colega e pediu a apuração de possíveis irregularidades.
No parecer, a PGR sustenta que os elementos apresentados não justificam a abertura de investigação por abuso de autoridade. Isso não significa, porém, que todas as controvérsias relacionadas ao caso Master estejam resolvidas, nem representa uma decisão definitiva sobre o conjunto das suspeitas investigadas.
Transparência sob cobrança
O episódio levanta uma questão que interessa diretamente à população: quem fiscaliza os responsáveis por fiscalizar o cumprimento das leis?
Quando integrantes da mais alta instância do Judiciário divergem publicamente sobre a conduta de seus próprios membros, a sociedade tem o direito de exigir explicações claras, fundamentadas e acessíveis. Ao mesmo tempo, acusações precisam ser examinadas com rigor, sem transformar suspeitas em condenações antecipadas.
O parecer da PGR é uma manifestação institucional relevante, mas não encerra, por si só, o debate. A avaliação dos fatos, o respeito ao devido processo legal e a independência das instituições devem caminhar juntos.
A reflexão que fica é simples, mas necessária: em um caso de tamanha repercussão, não basta saber quem acusa ou quem recebe apoio institucional. É fundamental compreender quais provas existem, como elas são analisadas e quais mecanismos garantem que todos estejam submetidos às mesmas regras. A credibilidade da Justiça depende não apenas de suas decisões, mas também da capacidade de demonstrar à sociedade que elas são tomadas com imparcialidade e responsabilidade.




