Agro mantém força e ampla representação no Congresso
Bancada ruralista renova metade dos mandatos e preserva influência sobre o Legislativo a partir de 2027.
Publicado em 5 de outubro de 2026, 14:06 — Em São Paulo

A força política do agronegócio saiu das urnas de 2026 sem grandes rupturas. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), maior grupo organizado do Congresso Nacional, conseguiu manter 173 de seus 345 integrantes para a próxima legislatura. O número corresponde a 50% dos parlamentares cadastrados na frente.
Na Câmara dos Deputados, a FPA tinha 297 integrantes na atualização de 27 de julho. Desses, 150 foram reeleitos. Outros 17 conquistaram vagas no Senado. O resultado mantém o agro entre as forças organizadas com maior presença no Legislativo a partir de 2027.
Entre os nomes que garantiram espaço na próxima legislatura estão o presidente da FPA, Pedro Lupion (PP-PR), além de Alceu Moreira (MDB-RS) e Zé Vitor (PL-MG). Também foram eleitos para o Senado parlamentares como Arthur Lira (PP-AL), Bia Kicis (PL-DF), Evair de Melo (Republicanos-ES), André Fufuca (PP-MA), Marcel van Hattem (Novo-RS), Carol de Toni (PL-SC) e Guilherme Derrite (PP-SP).
Um setor que pesa na economia
A permanência da bancada ganha dimensão quando observada junto ao peso econômico do agronegócio.
Dados do IBGE mostram que a Agropecuária movimentou R$ 775,3 bilhões em valor adicionado em 2025, enquanto o PIB brasileiro chegou a R$ 12,7 trilhões. No mesmo ano, o setor cresceu 11,7%, diante de uma expansão de 2,3% da economia brasileira</b>.
No comércio exterior, o peso também é expressivo. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, o agronegócio brasileiro fechou 2025 com US$ 169,2 bilhões em exportações, o equivalente a 48,5% de todas as exportações do país.
Esse peso econômico ajuda a explicar a relevância do agro nas eleições e na agenda do Congresso. Temas como crédito rural, Plano Safra, infraestrutura, tributação, comércio exterior, legislação ambiental e segurança jurídica afetam diretamente produtores e empresas, mas também têm reflexos sobre preços dos alimentos, empregos e desenvolvimento regional.
A influência política do setor também apareceu na disputa presidencial de 2026. Em 1º de outubro, a direção da FPA declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), afirmando haver convergência entre suas propostas e as demandas do setor.
O desafio da representação
A força da FPA, porém, não significa que o eleitorado ligado ao campo tenha uma única posição. A frente é suprapartidária e reúne parlamentares de diferentes legendas e correntes políticas.
É justamente por isso que o resultado eleitoral abre uma discussão mais ampla: até que ponto o peso econômico do agronegócio deve se transformar em influência sobre as políticas públicas?</b>
A questão ultrapassa o campo. Decisões sobre produção agropecuária envolvem alimentos, exportações, empregos, meio ambiente, infraestrutura e desenvolvimento regional. Ao mesmo tempo, produtores e empresas dependem de crédito, regras estáveis e segurança jurídica.
O resultado de 2026 coloca novamente o agro no centro do debate nacional. Para a próxima legislatura, a discussão não será apenas sobre quantos representantes do setor permanecerão no Congresso, mas sobre como essa força será utilizada e quais interesses estarão no centro das decisões.
Em uma democracia, uma bancada forte pode representar um setor relevante da economia. Sua legitimidade, porém, também passa pela capacidade de dialogar com quem está fora dele. O desafio de 2027 será transformar peso econômico e eleitoral em políticas capazes de equilibrar produção, competitividade, desenvolvimento e interesses sociais mais amplos.



