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Sabesp mantém saneamento de Santo André

Câmara revoga artigo que previa retomada municipal dos serviços em caso de privatização

Marcello Sanches
Marcello Sanches

Publicado em 19 de agosto de 2026, 11:49 — Em Grande ABC

2 min de leitura
Sabesp mantém saneamento de Santo André
Sabesp mantém saneamento de Santo André

A Câmara Municipal de Santo André aprovou a revogação de um artigo que previa a retomada, pelo município, do controle dos serviços de água e esgoto em caso de privatização da Sabesp. Com a decisão, a companhia estadual mantém a gestão do saneamento básico na cidade, independentemente de mudanças em sua estrutura societária.

O dispositivo revogado funcionava como uma cláusula de proteção ao interesse público local: caso a Sabesp deixasse de ser uma empresa estatal, o município teria respaldo legal para reassumir diretamente a operação dos serviços de abastecimento de água e coleta de esgoto. A retirada desse artigo elimina essa salvaguarda do ordenamento jurídico andreense.

A votação ocorre em um contexto de relevância estadual. O governo de São Paulo avançou nos últimos anos com o processo de privatização da Sabesp, companhia responsável pelo saneamento em centenas de municípios paulistas. A desestatização foi concluída em 2024, quando o estado deixou de deter o controle acionário da empresa, que passou a operar sob gestão privada.

Santo André é um dos municípios atendidos pela Sabesp na região do Grande ABC. A manutenção do contrato de concessão com a companhia significa que os serviços de distribuição de água tratada e coleta e tratamento de esgoto continuam sob responsabilidade operacional da empresa, agora privatizada, sem previsão de municipalização.

A revogação do artigo foi aprovada pelos vereadores andreenses, mas o tema divide opiniões entre representantes políticos e entidades que acompanham a política de saneamento na região. Críticos argumentam que a retirada da cláusula reduz a capacidade do município de agir em defesa da população caso os serviços prestados pela concessionária privada se mostrem insatisfatórios ou os reajustes tarifários se tornem excessivos.

Para a população de Santo André, a decisão tem impacto direto nas condições futuras de prestação dos serviços essenciais de saneamento. Sem o dispositivo legal que garantia a retomada municipal, a prefeitura passa a depender exclusivamente dos termos contratuais vigentes para exigir qualidade, regularidade e tarifas adequadas da Sabesp.

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