Cesta básica de Campinas lidera recuo no Sudeste
Queda de 10,24% em julho encerra sequência de recordes no custo dos alimentos
Publicado em 14 de agosto de 2026, 15:22 — Em Campinas

A cesta básica de Campinas registrou em julho de 2025 o maior recuo entre as cidades do Sudeste monitoradas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com queda de 10,24% em relação a junho. O valor passou de um patamar acima de R$ 900 — recorde histórico registrado no mês anterior — para R$ 809,75, conforme levantamento do Observatório PUC-Campinas.
A redução foi impulsionada pela queda expressiva no preço de alimentos que haviam pressionado o custo da cesta nos meses anteriores. O tomate liderou o recuo, com desvalorização de 46,62% em julho. A batata também teve queda significativa, de 33,26%. Outros itens que contribuíram para o alívio foram o açúcar, com recuo de 6,15%, a banana, que baixou 4,28%, e a carne, com redução de 2,12%.
O comportamento de queda seguiu uma tendência nacional verificada no período, mas o desempenho de Campinas superou o das demais capitais acompanhadas pelo Dieese na região. Belo Horizonte registrou recuo de 7,44%; Rio de Janeiro, de 7,12%; Vitória, de 5,76%; e São Paulo, de 5,23%.
Apesar do alívio mensal, o custo dos alimentos básicos ainda representa uma parcela relevante da renda dos trabalhadores. Com o salário mínimo vigente de R$ 1.621,00 — em vigor desde janeiro de 2025 —, a cesta básica de julho em Campinas compromete 49,95% do valor total do piso nacional.
O impacto é ainda maior para famílias. O Observatório PUC-Campinas considera que uma família composta por dois adultos e duas crianças necessitaria de três cestas básicas por mês para garantir a alimentação. Nesse cenário, o gasto mensal somente com alimentos chegaria a R$ 2.429,25 — valor superior ao próprio salário mínimo.
A série histórica acompanhada pelo Observatório mostra que a cesta básica em Campinas vinha acumulando alta desde o início de 2025: saiu de R$ 754,11 em janeiro, passou por R$ 801,04 em março e chegou a R$ 834,01 em abril, recuando parcialmente em maio para R$ 811,51, antes de bater o recorde em junho e agora registrar a queda em julho.



