Campinas vai mapear gastos climáticos no orçamento
A partir de 2028, investimentos contra eventos extremos serão fixos no planejamento municipal
Publicado em 17 de agosto de 2026, 13:56 — Em Campinas

A Prefeitura de Campinas anunciou que vai mapear, no orçamento municipal, todos os investimentos relacionados às mudanças climáticas. A medida tem como objetivo tornar esses gastos fixos e previstos anualmente a partir de 2028, integrando o combate aos eventos climáticos extremos ao planejamento ordinário da cidade.
A informação foi divulgada pela secretária adjunta do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade, Marcela Pupin. Segundo ela, o município já analisa obras executadas e faz levantamento dos valores aplicados em mecanismos de resistência ao calor e de prevenção a enchentes, tanto nos projetos quanto nos materiais utilizados.
A partir de 2028, esses valores passarão a ser formalmente identificados — ou "etiquetados", nos termos da secretaria — e se tornarão parte estrutural das políticas públicas municipais. A previsão é que futuras obras já sejam concebidas com requisitos da chamada "agenda verde" e da "agenda azul", voltadas à sustentabilidade ambiental e à gestão das águas urbanas.
Pupin explicou que obras antes executadas apenas com concreto passam agora a ser planejadas sob uma perspectiva climática. "A obra cinza que antigamente a gente fazia na cidade está sendo abraçada pela lente climática, pela agenda verde, pela agenda azul e trazendo um resultado de equalização na cidade para os enfrentamentos", afirmou a secretária.
Entre os exemplos citados de investimentos classificados como de enfrentamento às mudanças climáticas estão obras de drenagem de água de chuva e a aquisição de ar-condicionado para unidades de saúde. Reservatórios de contenção de cheias, como o RP-1 no bairro Proença, também se enquadram nessa categoria.
A secretária destacou que a efetividade das políticas públicas depende diretamente da inclusão da pauta climática no planejamento financeiro. "Quando a gente fala em trabalho, a gente fala em dinheiro. Quando a gente fala em dinheiro, precisa falar da peça orçamentária", disse Pupin.



