Câmara terá alta concentração de candidatos à reeleição nas eleições de 2026
Mais de 85% dos deputados tentam permanecer na Câmara, ampliando o debate sobre renovação política.
Publicado em 21 de agosto de 2026, 14:30 — Em São Paulo

A disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2026 terá uma característica marcante: a maioria dos parlamentares que atualmente ocupam o cargo pretende permanecer no Congresso. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), 438 dos 513 deputados em exercício registraram candidatura para tentar renovar o mandato.
O número representa 85,38% da composição da Casa e supera o registrado nas eleições de 2018, quando 404 deputados buscaram permanecer no cargo. Na comparação com aquele pleito, são 34 parlamentares a mais, um crescimento de 8,4% no número de candidatos à reeleição.
Apesar do avanço em relação a 2018, o cenário de 2026 fica abaixo do registrado quatro anos atrás. Em 2022, 446 deputados disputaram novamente uma cadeira na Câmara, o equivalente a 86,93% dos parlamentares em exercício. Agora, são oito candidatos a menos em busca da recondução.
O levantamento do Diap mostra, portanto, que mais de oito em cada dez integrantes da atual Câmara estarão novamente nas urnas tentando permanecer no Legislativo. Dos 513 deputados, 75 não aparecem entre os candidatos à reeleição. Nesse grupo estão parlamentares que optaram por disputar outros cargos e aqueles que decidiram não participar da eleição.
A permanência de grande parte da atual bancada também chama atenção para outro aspecto da política brasileira: a capacidade de alguns parlamentares de construir carreiras prolongadas no Congresso.
Um exemplo é o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que exerce atualmente seu sétimo mandato federal. A trajetória na Câmara começou em 1995, após sua eleição em 1994. Desde então, sua presença no Legislativo federal foi praticamente contínua, embora tenha se licenciado temporariamente durante a legislatura de 1999 a 2003 para ocupar um cargo no governo municipal de São Paulo.
Chinaglia permanece em exercício em 2026 e integra novamente a disputa eleitoral. O caso ajuda a ilustrar como a possibilidade de sucessivas reeleições pode produzir trajetórias políticas que atravessam décadas.
Outros parlamentares também acumulam longos períodos de atuação na Câmara. Lincoln Portela (PL-MG) e Wellington Roberto (PSD-PB), por exemplo, estão entre os deputados com várias legislaturas no currículo e aparecem no cenário eleitoral de 2026 em busca da continuidade de seus mandatos.
O levantamento, contudo, exige uma distinção importante: o número de mandatos conquistados por um político não é necessariamente igual ao tempo de permanência ininterrupta no cargo. Mudanças de função, licenças e períodos fora do Legislativo podem alterar essa trajetória.
Entre continuidade e renovação
A elevada quantidade de deputados que tentam permanecer na Câmara coloca novamente em evidência uma questão recorrente no debate político brasileiro: até que ponto a continuidade de parlamentares experientes contribui para a estabilidade do Legislativo e em que momento ela pode reduzir o espaço para a renovação da representação política?
A permanência prolongada pode significar experiência, conhecimento do funcionamento do Congresso e capacidade de acompanhar projetos de longo prazo. Por outro lado, a renovação também é parte essencial de uma democracia, permitindo a entrada de novas lideranças, perspectivas e demandas sociais.
No fim, os números do Diap não determinam se a Câmara será melhor ou pior com mais ou menos reeleições. Eles revelam apenas uma tendência: a disputa de 2026 será marcada por uma forte presença de parlamentares que já conhecem os corredores do Congresso. Cabe ao eleitor transformar essa realidade em uma decisão consciente sobre continuidade, mudança e o tipo de representação que deseja ver na Câmara dos Deputados.



