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Bolivianos são resgatados de fábrica em Itaquaquecetuba

Trabalhadores relataram jornadas até as 22h e dois meses sem pagamento

Marcello Sanches
Marcello Sanches

Publicado em 28 de agosto de 2026, 07:44 — Em Mogi das Cruzes

1 min de leitura
Bolivianos são resgatados de fábrica em Itaquaquecetuba
Bolivianos são resgatados de fábrica em ItaquaquecetubaFoto: G1 Mogi das Cruzes

Três adultos bolivianos, entre eles uma mulher grávida de aproximadamente seis meses, foram resgatados nesta quinta-feira (27) de uma fábrica de costura localizada no Parque Piratininga, em Itaquaquecetuba. Uma criança também foi encontrada no imóvel. Os trabalhadores relataram à Guarda Civil Municipal (GCM) que cumpriam jornadas que se encerravam por volta das 22h e estavam há cerca de dois meses sem receber qualquer remuneração.

A ação partiu de uma denúncia recebida pela equipe da Ronda de Proteção à Mulher durante patrulhamento pelo bairro. Um casal conduziu os agentes até o endereço. Uma mulher que trabalhava no local também prestou denúncia após conseguir deixar o imóvel ao perceber as condições às quais os demais estavam submetidos.

Segundo os relatos colhidos pelos guardas, os trabalhadores chegaram ao Brasil há menos de dois anos, atraídos por anúncios publicados em redes sociais que prometiam salário de aproximadamente R$ 5 mil mensais. No local, confeccionavam peças de vestuário durante longas jornadas diárias, sem receber o valor acordado e sem recursos para adquirir itens básicos, como leite e fraldas.

Os depoimentos ainda apontaram que uma das responsáveis pelo imóvel mantinha a chave do local consigo, dificultando a saída dos trabalhadores. A mulher grávida informou ter passado por apenas uma consulta médica ao longo de toda a gestação. O imóvel foi descrito pela prefeitura como apresentando condições precárias de higiene, com sujeira acumulada, restos de alimentos, comida estragada na geladeira e banheiros sem limpeza adequada.

O espaço foi preservado pela GCM para realização de perícia. As famílias foram levadas à base da corporação, onde receberam alimentação e atendimento, e posteriormente encaminhadas à Polícia Federal. O caso será investigado para apurar as condições de trabalho e eventual configuração de crime.

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