PIRACICABA

37ª 100 Milhas de Piracicaba: tradição, velocidade e três gerações da família Giannetti nas pistas

Família Giannetti mantém viva a paixão pelo automobilismo e prepara uma nova geração para as pistas.

Luís A. Coelho
Luís A. Coelho

Publicado em 21 de agosto de 2026, 17:59 — Em Piracicaba

6 min de leitura
37ª 100 Milhas de Piracicaba: tradição, velocidade e três gerações da família Giannetti nas pistas
37ª 100 Milhas de Piracicaba: tradição, velocidade e três gerações da família Giannetti nas pistas

A 37ª edição das 100 Milhas de Piracicaba reúne neste fim de semana velocidade, tradição e histórias que fazem parte da trajetória do automobilismo na cidade. À frente de uma das principais referências do esporte em Piracicaba, a família Giannetti acompanha mais uma edição da prova no ECPA, com Dito Giannetti, Daniella Giannetti e João Giannetti compartilhando diferentes gerações de uma mesma paixão.

Em entrevista ao Canal de Piracicaba, Dito relembrou a origem das 100 Milhas, que remonta à década de 1960, quando as corridas de kart ainda eram realizadas nas ruas de Piracicaba. Segundo ele, as provas reuniam pilotos de diferentes partes do país e nomes que posteriormente se tornariam referências do automobilismo brasileiro, como Emerson Fittipaldi e José Carlos Pace.

As 100 Milhas Piracicaba é uma coisa antiga. Ela veio da década de 60, quando nós corríamos de kart nas ruas e grandes nomes como Emerson Fittipaldi, José Carlos Pace e tantos outros correram aqui nas ruas de Piracicaba.

Depois do período das corridas de rua, a tradição foi retomada com a inauguração do ECPA, em 1989. Dito conta que as 100 Milhas voltaram inicialmente como uma prova de velocidade na terra e, posteriormente, passaram a ser realizadas no autódromo de asfalto, chegando agora à sua 37ª edição.

Uma história que atravessa gerações

A relação da família Giannetti com o automobilismo começou ainda na infância de Dito. Ele relembra a influência de Chico Landi, considerado o primeiro piloto brasileiro a competir na Fórmula 1, e as conversas sobre automobilismo que acompanhava nos encontros familiares.

A gente chegava em casa, quando tinha esse almoço que ele vinha participar das provas nas ruas de Piracicaba, aí conversava só de corrida e eu ficava só escutando e assistia as provas.

Aos 14 anos, Dito começou a correr de kart e nunca mais deixou as pistas. Décadas depois, a mesma paixão chegou às novas gerações. Primeiro, com o filho Felipe, que começou a competir aos 16 anos e passou a dividir com o pai a participação nas 100 Milhas. Agora, o protagonismo também chega ao neto, João Giannetti, de 14 anos, que faz sua estreia nos carros na tradicional prova.

Para Dito, acompanhar a chegada do neto às pistas representa a continuidade de uma história construída ao longo de décadas.

E agora tem a felicidade de trazer o Joãozinho aqui. Joãozinho, 14 anos também, como eu comecei. Mas ele já vai direto para o automóvel, já vai correr em uma prova de 100 milhas.

João, por sua vez, não esconde a empolgação com a estreia e revela que já pensa em construir uma carreira no automobilismo.

Estou muito feliz de poder estar participando. E agora estou com expectativas muito altas para vencer a corrida.

Inspirado pelo avô, João também destaca uma característica que gostaria de levar para sua própria trajetória.

A mentalidade dele. Ele tem a mentalidade de vencedor. Eu queria ser igual a ele.

O olhar de uma mãe e a continuidade do legado

Enquanto Dito acompanha a estreia do neto com a experiência de quem já viveu décadas nas pistas, Daniella encara o momento com uma mistura de orgulho, emoção e preocupação. Organizadora do evento e responsável pela administração do ECPA ao lado da família, ela acompanha agora o filho entrando em uma nova etapa no automobilismo.

Para a mãe acho que é um pouquinho mais difícil. A mãe fica mais apreensiva, mais nervosa, ainda mais sendo a primeira vez.

Daniella também destaca a importância de João ter ao lado um piloto experiente como o avô.

Ele é um grande piloto, ele tem um professor fantástico do lado, que é o meu pai, que é uma lenda no automobilismo.

Para ela, ver o legado continuar entre pai, filha e neto é um momento especial para toda a família.

Ter a oportunidade de carregar, de trazer, continuar esse legado, que passa de pai para filha e agora para neto, é grandioso, é maravilhoso.

Além da participação da família nas pistas, Daniella exerce papel fundamental na realização do evento. Segundo Dito, ela é seu “braço direito” e atua há 26 anos na organização.

Uma prova de estratégia e resistência

Para quem acompanha as 100 Milhas pela primeira vez, Dito também explicou como funciona a competição. A prova percorre 162 quilômetros, em 78 voltas, com duração aproximada de duas horas e limite de até duas horas e meia em caso de interrupções.

As equipes também precisam cumprir paradas obrigatórias nos boxes. No caso dos carros tubulares, são duas paradas de cinco minutos, utilizadas para abastecimento, checagem e troca de piloto.

A estratégia é parte fundamental da competição. Cada equipe pode definir como distribuir o tempo entre os pilotos e adaptar o planejamento conforme o andamento da corrida.

Dito conhece bem essa dificuldade. Ele participou de 36 das 37 edições e venceu nove vezes.

Não é fácil ganhar uma 100 Milhas. São 37 edições, eu já participei de 36, não perdi nenhuma. E só ganhei 9, então é difícil.

Oito categorias e mais de 84 pilotos

A edição deste ano contará com oito categorias, reunindo diferentes modalidades do automobilismo. Estão previstas disputas de Fórmula V, Fórmula 1600, Fórmula Evo, Fórmula Inter, Fusca, Marcas e Pilotos 1.6 e 1.4 e Tubular (Gaiolas).

De acordo com Daniella, são mais de 84 pilotos inscritos para o evento.

Mais do que uma competição, a família Giannetti destaca o caráter de confraternização das 100 Milhas. O ECPA recebe pilotos, familiares e fãs do automobilismo em um ambiente preparado para diferentes públicos, com praça de alimentação e espaço para crianças.

Eu falo que a 100 Milhas é um evento familiar. O ECPA é um local de família, a família vem e se sente num lugar gostoso, seguro.


Nova geração já sonha com o automobilismo profissional

Aos 14 anos, João já pensa em transformar a paixão em profissão.

Eu pretendo continuar na corrida, virar um piloto profissional. E continuar correndo, que é o que eu gosto.

A estreia também chama a atenção fora das pistas. O jovem contou que os colegas de escola ficam surpresos ao saber que ele já pilota um carro de competição.

Eu acho legal chegar na escola e falar para eles que eu vou andar nas 100 Milhas. Eles ficam surpresos com isso.

A 37ª edição das 100 Milhas de Piracicaba acontece neste fim de semana, reunindo diferentes categorias e gerações do automobilismo. Para os Giannetti, a prova representa mais um capítulo de uma história iniciada nas ruas de Piracicaba há mais de seis décadas e que continua sendo construída dentro das pistas.

Confira a entrevista completa com Dito, Daniella e João Giannetti no YouTube do Canal de Piracicaba.

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